SINAIS NO HORIZONTE

junho 23, 2021

A recente denuncia de um acordo de code-share entre a empresa Azul Linhas Aéreas e a LATAM, que o haviam assinado há menos de um ano, pode ter duas explicações, uma ruim e outra boa. No primeiro caso, a de que a indústria turística continua sem horizonte, amargando enormes prejuízos, como o exemplo da queda da um faturamento a nível global acima de 80% sofrido pela indústria do transporte aéreo – no Brasil, o setor perde este ano cerca de 70% de suas receitas – e que pode leva-la à bancarrota. Esse quadro atinge duramente os cerca de 60 segmentos que compõem o turismo, desde o avião e os hotéis, nas mãos de pequenos e poderosos grupos controladores, se estende às agências de viagens, guias de turismo, bares, restaurantes, locadoras e transportadoras terrestres, onde milhões de empregos estão pulverizados, e fonte de vida para milhões de famílias espalhadas pelo mundo. E não é difícil fazer-se uma avaliação do que sofre essa gente com a crise mundial da pandemia.
A explicação boa fica por conta do raciocínio a que podem ter chegado os dirigentes da LATAM, ao visualizarem no horizonte um futuro, menos distante do que se supõe, do início de superação da crise, por razões internas ou externas. No primeiro caso, medidas de pequeno impacto como a extensão do reembolso das passagens de viagens canceladas, aprovada pelo Congresso, e que podem criar uma fonte emergencial de novas receitas, através de ampliação das vendas de novas passagens, criando uma espécie de commodities de crise. Geram futuros compromissos, mas bem administradas podem servir de reforço de caixa enquanto a recuperação não vem. A vacinação no Brasil, que já começa a imunizar boa parte da população, lembrando que o Brasil é o 5º. país na velocidade de aplicação da vacina, superando nesse campo potencias europeias. Isso pode significar um quadro melhor a partir do segundo semestre.
Outros fatores: 1) a recontratação de 750 pilotos, dos 2.700 que despedira em 2020, serve de indicador de que a LATAM deve estar enxergando uma melhoria no horizonte; 2) uma melhoria sensível que se nota no mercado doméstico de viagens, indicando que o turista está acreditando que as viagens se tornam seguras; 3) a melhoria no aumento das viagens da LATAM representou um avanço, alcançando 49% a mais; e, o próprio desempenho da Azul, elevando sua participação e à liderança no mercado doméstico este ano, indica também que outras empresas podem fazer o mesmo, desde que aprendam a estratégia da empresa de David Neelemann.
A LATAM mostra-se assim disposta a correr riscos maiores. No caso de alguma coisa falhar na estratégia, a empresa chilena conta ainda com um ás na sua manga, o recurso à recuperação judicial. Seus estrategistas parecem ter descoberto o óbvio: os sinais no horizonte parecem mostrar que ganhando tempo a empresa sobreviverá. Os sinais do tempo adicionaram-lhe um valioso aliado.

Hélcio Estrella

Ex Presidente Nacional da Abrajet, Ex presidente da Abrajet São Paulo Diretor e colunista ·
Rrevista financeira Banco Hoje.

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