Do sonho ao reconhecimento

junho 23, 2021

No último sábado, na boquinha da noite, recebi um documento do amigo Professor Juvandi de Souza Santos dando conta de que o Museu de História Natural da UEPB tinha finalmente recebido o seu certificado de registro de Museu pelo Instituto Brasileiro de Museus, o IBRAM. A mensagem emocionada confirmava: “Chegou, nosso Museu agora tem certificado!”. Isso me fez voltar no tempo por meandros sinuosos, testemunha que fui de uma luta incessante pelo desenvolvimento da ciência de nossa amada Parahyba e o quanto houve luta e suor para, enfim, o MHN ser efetivado e reconhecido, do sonho ao reconhecimento.
Lá pelos idos de 2009, Prof. Juvandi conseguiu elaborar um projeto e aprová-lo junto as instâncias da Universidade Estadual. Foram alguns anos se dedicando a pesquisa por todo o interior do nosso estado recolhendo peças e fazendo amizades, criando uma rede de comunicação que pudesse desenvolver as pesquisas principalmente no que se referia a arqueologia e paleontologia. Três anos antes, participei com ele da criação da Sociedade Paraibana de Arqueologia e paralelamente ele criou um Laboratório na UEPB (onde sou colaborador) de ondesurgiu o sonho do Museu, que poderia ser utilíssimo para a pesquisa de alunos da Universidade em diversas áreasdo conhecimento como também um grande atrativo para a toda a população. Naquele momento ele conheceu um Professor recém-admitido na Universidade, o Márcio Mendes, paleontólogo mineiro que logo se uniu ao sonho que finalmente se tornou o Museu de História Natural, o primeiro do estado nessa linha e um dos poucos no Nordeste.

Uma das atividades fundantes de todo esse cenário foi a escavação paleontológica na Lagoa Salgada, zona limítrofe entre Areial, Pocinhos e Montadas, um interessante lago de água salobra que curiosamente é a nascente de um dos rios mais importantes do estado, o Mamanguape. Na Lagoa afloraram fósseis da megafauna pleistocênica, animais que ali morreram há alguns milhares de anos e ficaram soterrados até que obras para aumentar a capacidade de acúmulo de água os descobriram. Os Profs.Juvandi e Márcio empreenderam essa escavação onde tive a oportunidade de conviver e aprender muito com biólogos que integravam a equipe. Toda a coleção escavada faz parte do acervo do Museu que ocupou duas salas do prédio do antigo Museu de Artes (2009) no Açude Novo e pouco mais de um ano depois foi para a sua atual instalação no prédio da antiga Faculdade de Administração da UEPB, por trás dos Correios, no coração de Campina Grande.

O querido e saudoso amigo BalduínoLélis me disse, certa vez, que era encantado por museus justamente pelo fato de que ele é uma janela para observarmos e estudarmos o passado e sabermos quem somos. Foi nesse ideal que ele foi mentor de várias casas de memória e certamente iria admirar a proposta do MHN. São muitos saberes envolvidos, várias coleções que identificam a nossa região, conservando nosso acervo arqueológico, faunístico, florístico, geológico, espeleológico e paleontológico. Ali vi de perto inúmeros alunos e alunasse ocupando em seus trabalhos de conclusão, dedicados ao estudo do acervo e participando da organização.
De tão grandioso, o projeto não possui – ainda – toda a estrutura digna de que necessita e talvez nesse afã, tenha surgido a ideia do Museu Itinerante, uma exposição de peças e artefatos em redomas de madeira e vidro, além de banners que desde 2012 exibe um pouco do que é o Museu em escolas, no saguão da universidade, em feiras como a antigaFetec e em alguns municípios onde são desenvolvidas pesquisas.
Esse certificado é o reconhecimento de um trabalho sistêmico que atrela o Laboratório de pesquisas, a Revista Tarairiú divulgando os trabalhos científicos e o Museu de História Natural, fazendo a pontecom a comunidade. Parabéns Professor Juvandi, olhando para o início de tudo, tenho certeza que a luta não foi em vão e mesmo antes desse registro, o reconhecimento de um sem número de estudantes já era suficiente para você que, simples como o é, empunha a bandeira do idealismo tendo como única missão e prazer a preservação do patrimônio cultural e da nossa história.

Thomas Bruno Oliveira

Historiador e Jornalista – 3372-PB

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