NEM TUDO SÃO FLORES… NEM ESPINHOS…

maio 20, 2021

À esperança de acontecer em 2019 um novo surto no crescimento no turismo, vimos opor-se em 2020 um outro surto de COVID, mais forte, com as oportunidades de expansão esperadas sendo tragadas na crise. A economia teve de voltar-se para salvar vidas, significa direcionar os esforços das empresas privadas e do Tesouro – nacional, estadual ou municipal – para garantir vacinação a todos e uma renda mínima à população desamparada ou que perdeu emprego. A esperança, adiada para 2021, teve de ser novamente adiada para uma data sem data. O lockdown acabou adquirindo as feições da democracia, sistema imperfeito com efeitos colaterais, mas sem que ninguém tenha inventado nada para substitui-lo.
Entre os efeitos da crise prolongada, milhões de postos de trabalho eliminados na América Latina, afetando todos os quase 60 segmentos que compõem as atividades turísticas. Os mais afetados, pelo seu peso de negócios, as empresas aéreas comerciais, a rede hoteleira e a malha dos agentes de viagens. A primeira com seus voos reduzidos em 60% em relação ao período precedente à crise sanitária, que resultou no encolhimento da malha de aeroportos brasileiros com voos comerciais, que caiu de 128 para 96. Certamente algumas empresas aéreas ainda fecharão ou se fundirão com outras, e disso logo teremos notícias. Da rede de hotelaria há poucas estatísticas disponíveis, mas especialistas acreditam que seu faturamento tenha caído e continue a cair, atingindo 40% do período pré-crise. E o grande segmento de gente empregada, o de agentes de viagens, uma espécie de formigueiro de trabalho humano, segundo estimativa, deverá ter reduzido em um terço o quadro de suas empresas, o que será logo conhecido pela principal entidade que os congrega, a ABAV-Associação Brasileira de Agentes de Viagens.
No lado das notícias boas, algumas áreas mostram recuperação, como o de resorts, que conseguiu inverter a queda de vendas através de uma série de medidas como separação maior entre os hóspedes, o controle na separação e contato entre passageiros nas empresas aéreas e a privatização de quase 100 aeroportos. Ao comprarem os aeroportos dentro de uma crise de saúde pública, as empresas apostam e sinalizam na recuperação das viagens turísticas. E isso parece prenunciar melhoras no horizonte no médio prazo.
Confirmados os prognósticos preliminares, em um ano o horizonte será outro, e é preciso que o mercado esteja preparado para a retomada. Lutar para não morrer, chegar vivo quando a pandemia estiver dominada, é a receita para se manter no mercado.

Hélcio Estrella

Ex Presidente Nacional da Abrajet, Ex presidente da Abrajet São Paulo Diretor e colunista ·
Rrevista financeira Banco Hoje.

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