O futuro não depende só do governo

fevereiro 16, 2021

Os especialistas de turismo, alguns brasileiros, tentam fazer previsões que sirvam de Norte ao trade, criando uma espécie de luz no fim do túnel. O balanço do IBGE sobre as atividades do turismo até o mês de novembro de 2020, recentemente conhecido no Brasil, foi uma espécie de balde de agua fria sobre as expectativas do trade, que vem trabalhando com o horizonte de recuperação. Mas, o que podemos enxergar nesse quadro de incertezas? À primeira vista, não parece tão ruim, como se tornou após a prorrogação da pandemia para este ano. O surto de COVID, que todos esperavam ter fim no início de dezembro, recrudesceu em janeiro, mas seu acompanhamento até agora indica que ele pode estar se estabilizando na maioria dos Estados, à exceção do Amazonas. O duro aprendizado que foi lidar com essa pandemia, indicou um caminho que a maioria dos brasileiros está seguindo, de um certo isolamento, o uso generalizado de máscara e medidas sanitárias simples como o uso do álcool.
Uma das medidas mais eficazes, a vacinação, embora atrasada – será que está? – deve tornar-se rotina a partir do segundo quadrimestre deste ano. Com a melhoria do quadro propiciada pela vacinação, que vamos sentir no segundo semestre, chegaremos a um estágio de recuperação modesta no turismo até o final de 2021. Os diversos agentes que fazem a indústria do turismo funcionar tiveram tempo de se preparar para um quadro de relativa distância e de medidas sanitárias efetivas, como a hotelaria, o transporte, tanto rodoviário como aéreo, e os estabelecimentos de serviços essenciais que são os restaurantes. Se todos cumprirem seu compromisso, como a maioria está fazendo, muitos terão muitos prejuízos, mas a quebradeira geral que se esperava já não é uma garantia. Quando falamos de vacinação atrasada devemos olhar para o que ocorre no mundo. Nos Estados Unidos ela deverá atender no início de março algo como 15% da população, enquanto na Europa fica por volta de 5%, isso mesmo, 5%. É preciso entender que a produção em massa de vacina ainda engatinha e os esforços dos fabricantes esbarra no ajuste de suas linhas à velocidade que a crise exige.
Assim, com um pouco de paciência extra para enfrentar por um pouco mais de tempo os desconfortos da crise mundial, até o final de 2021 teremos um quadro sanitário bem melhor, e o turismo poderá retomar a plenitude de sua força como atividade econômica.

Hélcio Estrella

Ex-Presidente Nacional da ABRAJET-Ass.Bras. de Jornalistas de Turismo

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