Acabar com as forças armadas?

dezembro 19, 2020

Vira e mexe, encontramos precações contra as Forças Armadas, principalmente pregações de sua extinção. Mais recentemente temos visto pontos de vista de que elas deveriam ser extintas, empregando-se seus recursos na Educação. É um ponto de vista que a qualquer um assiste o direito de defender. Mas isso é possível? Talvez, mas apenas no dia em que o grau de civilização de todas as nações as tornem incapazes de resistir à cobiça sobre as riquezas de outras, naturais ou construídas, e que muitas delas conquistaram em centenas ou mesmo milhares de anos e ao longo de muitas de suas gerações.
As forças armadas representam hoje a única e exclusiva garantia contra possíveis invasões de seu território, além da garantia interna da preservação de suas instituições, sendo assim consideradas organismos de Estado, ao qual tem sua lealdade exigida por princípio constitucional. Ou seja, as forças armadas subordinam-se ao Estado, o que significa dizer à democracia, e não aos seus governantes, pois que estes têm mandatos provisórios. Por caráter operacional, e apenas por isso, as forças armadas subordinam-se aos governos, não sendo cegas a quaisquer ordens, se forem estas descontextualizadas daquelas emanadas na Constituição de cada Nação.

Tomemos o nosso caso, o brasileiro, para entender melhor

O Brasil, país com o quinto maior território do mundo e inserido entre as 10 maiores economias do planeta, possui riquezas cobiçadas, que somente os tolos se negam a enxergar. Seu parque industrial, suas reservas minerais e de óleo e gás, sua extensa faixa costeira, piscosa, e o território amazonense, com um sexto da agua doce do planeta e suas fontes gigantescas de minerais raros, servem para que seja eternamente cobiçado, embora isso seja permanentemente negado. O jornalista Alexandre Garcia citou o caso da navegação do Amazonas, que o Brasil preservou sua exclusividade ao permitir que o Barão de Mauá nele operasse suas linhas da Companhia Nacional de Navegação, como exemplo da cobiça sobre as riquezas brasileiras. A férrea vontade de Mauá e a determinação de D. Pedro II impediram que metade do Amazonas e, talvez o Norte brasileiro, tivessem sido tomadas do Brasil há mais de 150 anos passados. Nessa época, um estudo do Comodoro Maury, herói da Marinha americana, depois servindo nas forças confederadas, sugeriu que estes assumissem o controle do rio Amazonas, permitindo que os Estados escravagistas tornassem a área uma extensão da “plantation”, levando para lá as fazendas de algodão e fumo e seus escravos. Um dos argumentos era de que o rio Amazonas eram uma extensão natural das águas do rio Mississipi. Havia nas mentes dos americanos de então o conceito de “destino manifesto” que os levou a tomar metade do território do México.
Nas vizinhanças da era do Comodoro Maury e da Guerra de Secessão os Estados Unidos anexavam o Texas, o Novo México, a Califórnia, Utah e parte do Arizona, o que representa hoje cerca de 25% do território americano. Naturalmente os tempos são outros, a escravidão africana foi abolida com a Guerra Confederada e o Brasil de hoje não é o mesmo daqueles tempos. Outros exemplos podem ser encontrados em nossa vizinhança, como as guerras platinas ou a guerra das Missões. Se tivessem o êxito pretendido pelos seus deflagradores, o Sul brasileiro não pertenceria ao País, assim como o Oeste brasileiro seria paraguaio. São tempos passados, pode-se argumentar. Mas, continuam como exemplos da cobiça internacional, suscetível de ocorrer em qualquer momento da história.
É frágil o argumento de que os recursos eventualmente liberados pela extinção das forças armadas poderiam ser destinados à Educação. Quem o garante? Os poderes públicos que torram milhões, sangrando o Tesouro Nacional com privilégios de toda ordem a categorias “eleitas” no topo do serviço público em prejuízo da Educação e da Saúde?
As forças armadas poderão acabar, mas isto somente acontecerá no dia em que o mundo inteiro, unanimemente, tiver uma conduta ética absoluta. E isto parece ainda ser um sonho de toda a humanidade.
Vira e mexe, encontramos precações contra as Forças Armadas, principalmente pregações de sua extinção. Mais recentemente temos visto pontos de vista de que elas deveriam ser extintas, empregando-se seus recursos na Educação. É um ponto de vista que a qualquer um assiste o direito de defender. Mas isso é possível? Talvez, mas apenas no dia em que o grau de civilização de todas as nações as tornem incapazes de resistir à cobiça sobre as riquezas de outras, naturais ou construídas, e que muitas delas conquistaram em centenas ou mesmo milhares de anos e ao longo de muitas de suas gerações.
As forças armadas representam hoje a única e exclusiva garantia contra possíveis invasões de seu território, além da garantia interna da preservação de suas instituições, sendo assim consideradas organismos de Estado, ao qual tem sua lealdade exigida por princípio constitucional. Ou seja, as forças armadas subordinam-se ao Estado, o que significa dizer à democracia, e não aos seus governantes, pois que estes têm mandatos provisórios. Por caráter operacional, e apenas por isso, as forças armadas subordinam-se aos governos, não sendo cegas a quaisquer ordens, se forem estas descontextualizadas daquelas emanadas na Constituição de cada Nação.

Hélcio Estrella

Ex-Presidente Nacional da ABRAJET-Ass.Bras. de Jornalistas de Turismo

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