TURISMO RELIGIOSO NA PARAÍBA

dezembro 19, 2020

O turismo religioso é um dos segmentos de seu setor que tem crescido bastante em todo o mundo. Aqui no Brasil não poderia ser diferente, com a liderança inconteste do Santuário de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, localizado na cidade de Aparecida, no estado de São Paulo. Às margens da Via Dutra, o belo Santuário recebe anualmente cerca de 12 milhões de romeiros.
Na Paraíba, temos diversos locais onde o turismo religioso é uma realidade crescente: o Santuário de Nossa Senhora da Guia, no município de Lucena; o Santuário de Nossa Senhora da Penha, em João Pessoa, que em 2020 completou 257 anos; o Memorial da Cruz da Menina, em Patos; o Cristo Redentor, de Itaporanga; o Memorial do Padre Ibiapina, em Solânea, entre outros.

O turismo religioso em nosso estado é liderado pela região do Brejo, pelo que se verifica pessoalmente e até pelas estatísticas. Claro que a COVID-19 atrapalhou tudo neste ano, mas normalmente é isso que acontece. Principalmente na cidade de Guarabira, denominada de a Rainha do Brejo, localizada a cerca de 100 quilômetros de nossa capital.
É que lá existe uma majestosa estátua de Frei Damião erguida na Serra de Jurema. O imponente monumento atrai mensalmente, sobretudo aos domingos, milhares de romeiros e devotos daquele Pastor de Almas que, durante a sua longa existência, peregrinou pelo Nordeste levando a todos, principalmente aos mais humildes, a mensagem do Evangelho.
Confesso ter ficado, quando lá estive, impressionado com o grande número de peregrinos católicos, especialmente das classes menos favorecidas que, com a sua fé inquebrantável, reúnem-se em grupos para visitar a estátua de Frei Damião para pedir-lhe e agradecer-lhe graças alcançadas, nele depositando confiança como um forte intercessor junto a Deus.
Ainda na região do Brejo Paraibano, outro local de intenso turismo religioso é o distrito de Santa Fé, na cidade de Solânea, onde fica o Memorial do Padre Ibiapina. Servo de Deus que, no século XIX, prestou grandes serviços à população do Nordeste, especialmente com a criação das Casas de Caridade. Espalhadas pelos estados do Ceará, Paraíba, Rio Grande de Norte e Pernambuco, essas casas tiveram um relevante papel social, oferecendo abrigo a milhares de necessitados, protegendo-os inclusive das agruras provocadas pelas longas estiagens, como “a grande seca” de 1877.
A Casa de Caridade de Santa Fé, na qual o Padre Ibiapina viveu os seus últimos dias e está sepultado, foi edificada em 1866, tendo servido à população pobre daquela região brejeira. Restaurada com a colaboração de instituições alemães, ela continua a prestar serviços à comunidade carente e, com a construção de um memorial, forma um conjunto que atrai mensalmente milhares de romeiros de diversos estados nordestinos que visitam a Capelinha onde o Padre Ibiapina está sepultado, a casa aonde ele viveu, a Casa de Caridade e todo o conjunto que se constitui hoje no Memorial Padre Ibiapina, situado às margens da rodovia estadual que faz parte do chamado Anel do Brejo.
Natural do Ceará, José Antônio de Maria Ibiapina foi inicialmente advogado, em seguida político, tendo chegado a ser deputado. A certa altura da vida foi tocado pela Graça Divina e resolveu tornar-se Padre, iniciando a partir daí uma ação marcante em favor dos pobres do Nordeste com a construção das referidas Casas de Caridade, por ele idealizadas e erguidas em vários estados, objetivando prestar assistência religiosa, educacional e material aos pobres. Há vários anos, ele foi Beatificado pela Igreja Católica, estando em curso o seu processo de canonização, o que o tornará mais um Santo. A Diocese de Guarabira, que tem a missão de prover as informações ao Vaticano para isso, precisa estar mais atenta para esse desiderato.
Localizados relativamente próximos de João Pessoa, esses belos monumentos situados nos municípios de Guarabira e Solânea, no Brejo Paraibano, merecem a visita de todos aqueles que desejam melhor conhecer o nosso Estado.

Ivan Y Plá Trevas

Jornalista

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