APARECIDA D O BRASIL

setembro 27, 2020
Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida – Aparecida, São Paulo

A devoção à Virgem Maria em nosso país foi bastante acentuada por um acontecimento bem especial. Há 313 anos, no dia 12 de outubro de 1717, três pescadores achavam nas águas turvas do Rio Paraíba do Sul, próximo à então Vila de Guaratinguetá, no interior de São Paulo, uma pequena imagem de apenas 36 centímetros de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, que era de cor negra.

Levada para a humilde casa de um destes pescadores, fez com que a mãe dele, uma católica fervorosa, acolhesse e cuidasse da pequena imagem com um carinho todo especial. Entronizou-a em um pequeno altar para venerá-la diariamente, convidando também os seus vizinhos para essa devoção, que se tornou permanente.
E, de boca em boca, a devoção foi se espalhando pela vila e arredores, principalmente quando vieram a acontecer fatos considerados por eles como milagres, a exemplo do atendimento a pedidos e súplicas, casos de cura, libertações e diversas outros. Tudo isso contribuiu e evoluiu para o aumento da devoção à Santa Imagem que desde logo passou a ser denominada de Nossa Senhora da Imaculada Conceição Aparecida.
Com o passar dos anos, o aumento crescente de romeiros advindos de inúmeros recantos de toda região, que deixavam suas oferendas e seus ex-votos de agradecimento à Nossa Senhora Aparecida, fez com que o pároco daquela vila fosse até lá, constatando a verdadeira extensão dessa devoção à imagem da Santinha. Ele, então, resolveu encampá-la e entronizá-la em um local maior para atender romeiros e devotos sob sua supervisão e controle.
E, como conta o historiador Rodrigo Alvarez, estudioso da história da Santinha – Nossa Senhora Aparecida –, o Bispo de São Paulo, ao tomar conhecimento dessa grande devoção popular à Virgem Maria da Conceição Aparecida, criou uma junta para administrar e organizar essa situação, pois anualmente já passavam por lá milhares de romeiros de todas as regiões do Brasil.
Com o ainda crescente número de romeiros e devotos, foi construída uma igreja no alto de um morro na periferia de Guaratinguetá, em homenagem à Santinha Milagrosa. A partir disso, formou-se uma vila em torno da igreja, que posteriormente se tornaria uma cidade independente com o nome de Aparecida, em homenagem à pequena e milagrosa Santinha.
Ao avançar do tempo, em quase dois séculos, o vertiginoso movimento dos romeiros e devotos de Nossa Senhora Aparecida fez com que a Diocese de São Paulo mantivesse entendimentos com o Vaticano, que há 120 anos enviou
vários missionários redentoristas alemães para administrar e organizar esse gigantesco movimento, símbolo da religiosidade do povo brasileiro.
Foi construída, então, uma Basílica no alto do morro que passou a atender fiéis devotos de Nossa Senhora Aparecida, que possuía melhores condições de acolhimento. Na primeira metade do século XX, a Igreja Católica acolheu a Virgem Maria da Imaculada Conceição Aparecida como a Padroeira do Brasil, consagrando essa devoção popular à Santinha.
Na segunda metade do século XX, com o incessante aumento do movimento de romeiros e devotos, foi construído o importante Santuário Nacional de Aparecida. Com todo o seu esplendor, passou-se a homenagear a Padroeira do Brasil em um recanto ímpar, que se tornou o maior santuário de todo o mundo em homenagem à Virgem Maria, a grande intercessora junto ao Nosso Senhor Jesus Cristo.
Hoje, o Santuário Nacional recebe condignamente mais de 12 milhões de fiéis anualmente. É a maior expressão do turismo religioso no Brasil, que, neste ano de 2020, mesmo sofrendo com a pandemia, estão reabrindo paulatinamente aquele espaço sagrado a todos os brasileiros.

Ivan Y Plá Trevas

Jornalista

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