TURISMO DE PRESS RELEASE

janeiro 21, 2020

Os resultados da indústria turística brasileira continuam prometendo um bom futuro, futuro que ninguém sabe quando virá. Com muita fé e muita reza, talvez se consiga reverter o quadro de estagnação em que a atividade empacou há 5 anos, mantendo imutáveis suas estatísticas, já que do trabalho das autoridades do turismo pouco se pode esperar. Aceitando-se crescimento no turismo, forçoso é dizer que conseguimos ampliar o turismo de exportação, aquele que manda nossos dólares para o exterior, enquanto a importação de turistas teima em permanecer em 6, 5 milhões de estrangeiros que nos visitam todos os anos.
Se olharmos com uma lupa vamos descobrir que o fluxo de estrangeiros que nos visitam é constituído de 72% de latinos, sendo 42% argentinos, seguidos em números menores pelos uruguaios. Ou seja, é um fluxo que não sofre influência de eventuais políticas de turismo brasileiras. Nossos vizinhos para aqui estão vindo aproveitando-se de fatores favoráveis como a proximidade e a língua menos difícil de entender, que permitem que a maioria das viagens seja feita de carro, com despesas menores que as com avião, custos mais baratos de hospedagem como o aluguel de casas e apartamentos nos Estados do Sul e até mesmo com alimentação. Outro fator de influência, a segurança pública, crítica no Rio de Janeiro, em São Paulo e na Bahia, preocupa menos quem visita as praias do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e Paraná, além da região serrana dos dois primeiros pontos sulistas.
Os americanos e os europeus, que poderiam constituir importantes fluxos de visitantes internacionais, continuam não vindo, temerosos da questão da segurança pública, embora cheguem bem perto de nós, visitando o Uruguai e a Argentina. O nosso Ministério do Turismo e sua filha dileta, a EMBRATUR, não conseguem produzir resultados palpáveis, embora os comunicados públicos tentem indicar que somos um paraíso para turistas internacionais.
O quadro pintado nos press releases mostram um mundo róseo para o turismo brasileiro, embora para quem trabalha e vive da atividade não seja bem assim. Não é hora de menos oba-oba e mais resultados práticos?

Hélcio Estrella

Jornalista de economia e turismo, ex-Presidente Nacional e atual membro do Conselho Nacional da ABRAJET

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