Empresários comemoram a boa ocupação hoteleira

janeiro 21, 2020

O Nordeste está em festa. A população que antes estava receosa em viajar, motivada pela situação precária do país, agora, com a recuperação da economia, tiraram as malas do armário e começaram a cruzar os céus, onde boa parte seguiu rumo ao nordeste. Quem comemora a chegada do turista é o setor hoteleiro. Em destinos como João Pessoa, Salvador, Recife e Fortaleza, a taxa de ocupação chegou perto dos 100%.
Mesmo sem a participação do governo, em João Pessoa aconteceu o que já era o esperado: empresários atualizaram o quadro de funcionários, outros reformaram seus equipamentos para receber melhor o visitante, entre os quais, o Hotel Netuanah. O motivo da comemoração é porque os empresários trabalharam o ano na divulgação, através de Famtour, onde gerentes comerciais dos hotéis se deslocaram para destinos emissores, apresentando nossos produtos.

A falta de divulgação pelos Governos Estadual e Municipal nos destinos trabalhados sacrificou um pouco o trabalho, sendo compensado nas feiras nacionais e internacionais. O trabalho de divulgação é indispensável mesmo porque os governos aumentam a arrecadação de impostos, mas isso as Secretarias de Turismo desconhecem. Não dão a devida importância à parceria. A economia também ajudou bastante, espantando a timidez da população viajante, ultimamente tão sacrificada pelo sistema.
Já no litoral do Conde a situação foi diferente, o destino que já foi o mais procurado pelo turista, hoje amarga dificuldades. As praias do litoral sul, que incluem Conde e Pitimbu, possuem as mais belas praias do litoral nordestino, mas o abandono da administração pública e a falta de investimentos dos empresários, afastam o turista. Para completar, a intervenção judicial da prefeita Márcia Lucena, justificando o abandono administrativo e comprometendo ainda mais a situação.
Já Pitimbu, a 70 km de João Pessoa tem poucos leitos e geralmente são ocupados por pernambucanos, garantindo a ocupação. A região é bem servida pelos rios que cortam todo o município: Rios Abiaí, Goianos, Comissura e Graú, são os mais volumosos, onde a pesca serve de sustento aos moradores. Por ter um dos maiores litoral do estado (treze praias formam o balneário do município), Pitimbu é responsável por boa parte da arrecadação tributária local. É um destino muito pouco divulgado, e por ser fronteiriço a Pernambuco, a ocupação é dividida entre pernambucanos e paraibanos.

Cauaçú beijando Boi Só

Na antiga Fazenda Boi Só, no coração da capital paraibana, houve um encontro simbólico com a Fazenda Cauaçú lá dos Cariris Velhos, da Serra Branca de outrora, aquela mesma criada pelo alferes Amaro da Costa Romeu Filho no início do século XIX. Essa emblemática reunião sentimental foi proporcionada pelo lançamento do livro ‘Reminiscências’ (Ideia, 341p.) do querido amigo Berilo Ramos Borba. Nele, suas recordações mais preciosas foram unidas em uma explanação instigante com uma riqueza de detalhes que a impressão que nos dá é que a obra foi sendo escrita por toda sua vida e só agora publicada. São muitas cores e cheiros que tornam a narrativa biográfica não só interessante como de uma leitura prazerosa, ficando no fim o gosto de “quero mais”, e olhe que não é comum de um só fôlego ler quase quatrocentas páginas.
Sabia que o lançamento seria uma festa, uma celebração à história e trajetória do nosso amigo Berilo e, junto com outro amigo serrabranquense, o Prof. José Pequeno (Zezito), desci o Planalto da Borborema no cair da tarde da última sexta-feira (1-XI-19) para celebrar com amigos e familiares esse momento histórico.
Na ida, Prof. Zezito e eu tratamos de fazer nossas reminiscências com relação a Berilo. Lembrei quando o conheci há pouco mais de dez anos em uma prazerosa conversa sobre as coisas do Cariri, isso lá em Serra Branca mesmo, oportunidade em que também conheci sua Dora, grande intelectual que no momento lançara seu ‘Saberes e fazeres do povo’, um diagnóstico fiel do patrimônio cultural do povo paraibano. Zezito me lembrava quando eu os apresentei em Campina Grande em 2014, momento onde a centelha ufana dos Cariris Velhos transformou ideias em atos concretos e desse encontro criamos juntos o Instituto Histórico e Geográfico de Serra Branca, a Casa Dias Borba.
No início da noite chegamos ao Alphaville, condomínio construído em 2008 em terras da antiga Fazenda Boi Só que, ao contrário da ideia de um solitário animal, vem da interpretação errônea de um antigo proprietário, o francês Boisôt. Na propriedade, desde 1980 que a casa sede e a capela foram tombadas pelo IPHAEP através do Decreto nº 8.656 devido a sua importância dentro do contexto urbanístico e histórico da capital. Estacionamos o carro por trás da capela e caminhamos até a casa sede, muito bem preservada. Entrar naquela construção, pisar naquele mosaico, observar seus arcos, bandeiras de porta, é como ser transportado a um passado longínquo, mágica proporcionada pela importante preservação. O jardim harmoniza o conjunto, toques naturais e singelos. Por ali caminhamos até o salão de festas e fomos recebidos pelo casal Berilo e Dora Borba, ambos disseram: “Que bom, o Cariri chegou!”.
Em alguns minutos teve início a cerimônia, e pela primeira vez eu vi uma mesa de autoridades se espalhar pelo público presente, não possuindo mais espaços na mesa, as duas primeiras filas de espectadores foi ocupada por diversas outras autoridades que ali estavam (dos poderes constituídos à instituições culturais), onde me juntei por ser convidado a representar o Instituto Histórico e Geográfico do Cariri. Prof. Zezito (à mesa) representou o IHGSB. Com isso não quero dizer que o lançamento teve um caráter elitizado, e sim demonstrar com esse prestígio o quanto Berilo é querido e como sua trajetória foi marcante na vida de muitos caririzeiros e paraibanos, desde sua fazenda Cauaçú até o reitorado numa UFPB que ia de João Pessoa à Cajazeiras; dos tempos de seminário aos tempos de secretário de estado. Prestígio de uma vida honrada, de uma conduta ilibada, de uma pureza de caráter admirável e de uma atenção a todos, sobretudo aos amigos que a vida lhe presenteou.
No fim, voltamos a casa sede para um coquetel, momento animadíssimo ao som da Marinês, cantora amiga da família que na música levanta a bandeira do forró pé-de-serra, do xaxado e do baião (tinha mesmo que ser Marinês!). Como deveria ser, o forró tomou conta da Fazenda, reminiscências das enluaradas noites de São João, tão vivas e genuínas no Mundo-Sertão. Cauaçú beijando Boi Só, num elo sentimental e afetivo emocionante.

Thomas Bruno Oliveira

Historiador e Jornalista – 3372-PB

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