ABAIXO O TURISMO CHAPA BRANCA

outubro 18, 2019

Uma prática perniciosa, a de pegar carona nos feitos dos outros e que vinha diminuindo de intensidade este ano, parece estar voltando com força nos arraiais brasilianos, a julgar pelo noticiário sobre os níveis de crescimento das atividades turísticas brasileiras a partir de 2019. E elas estariam sendo incrementadas pela mão do governo, como se este pudesse empurrar o trabalho do setor privado, conforme sugerido por alguns arautos da chapa branca.
Turismo se incrementa pelo trabalho, e trabalho é uma resultante básica dos setores privados da sociedade, não contendo ele de forma ordinária nenhum esforço do governo. Essa versão que se tenta impingir à opinião pública de que esforços governamentais veem ajudando a ampliar as atividades turísticas é uma velha conversa pra boi dormir. O governo sempre ajuda quando sai da frente e não atrapalha quem quer trabalhar. Quando as autoridades se reúnem em seus gabinetes refrigerados para tomar cafezinho fresco e água gelada enquanto fazem planos mirabolantes que em nada vão resultar, os agentes privados das atividades econômicas, o turismo incluído, vão para as frentes de batalha aumentarem seus negócios e os ampliam consideravelmente, seja através de novos programas, de novos roteiros, seja viabilizando os preços de seus produtos ou serviços.
Dois exemplos bem claros entre a ineficiência do setor público – no mundo e não apenas no Brasil, são a decisão ratificada recentemente da comunidade europeia de criar uma taxa para vistos de turistas a partir de 2021 e as dificuldades para o trânsito regional de turistas. Medidas de segurança são essenciais ao trânsito de pessoas pelo mundo afora e a cobrança de taxas extras para executa-las não cabem em nenhum modelo. Suas excelências buscam apenas mais dinheiro, onerando e atrapalhando ainda mais quem trabalha ou quem quer viajar.
O Bradesco tem no frontispício de sua sede, em Osasco, São Paulo, a máxima : “só o trabalho pode produzir riquezas “. E setor privado brasileiro acaba de dar na última semana de setembro um exemplo disso, ao realizar com êxito na capital paulista a 47ª. ABAV EXPO e o 52º. Encontro Comercial Braztoa. Mostraram que quem trabalha não tem medo de crises, e que governos o tem, principalmente pelo resfriamento de receitas crescentes, sempre uma garantia de melhores e mais amplos gabinetes refrigerados.
Por isso, vale gritar: abaixo a chapa branca.

Hélcio Estrella

Jornalista de economia e turismo, ex-Presidente Nacional e atual membro do Conselho Nacional da ABRAJET

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