Parahyba 434 anos

agosto 27, 2019

João Pessoa em seus 434 anos tem convivido de forma peculiar com todas as suas épocas. Desde Filipéia de Nossa Senhora das Neves e Frederica, quando ainda embrionária em meio ao processo de colonização portuguesa e período holandês, até a Parahyba (até 1930) e João Pessoa, que é hoje.

A capital de todos os parahybanos é uma das cidades brasileiras com a melhor qualidade de vida, só isso explica seu boom imobiliário. Possui um dos patrimônios históricos mais ricos do Brasil, suas praias são majestosas, quer seja aquelas onde o frisson existe, ou mesmo as mais discretas, com pouco movimento, exclusiva para aqueles que querem tomar um banho tranquilo e curtir o sol, que aqui, aliás, nasce primeiro.
João Pessoa recolhe belezas naturais e históricas que seus amantes devem conhecer. Recentemente fizemos uma visita com uma turma de alunos da Serra da Borborema e fizemos o seguinte roteiro:
Fomos direto ao belíssimo Centro Histórico. A primeira parada foi o Instituto Histórico e Geográfico da Paraíba. Na visita, conhecemos o acervo documental do Instituto, a coleção museológica, a Biblioteca Irineu Pinto e a Seção de Obras raras, onde estão os Arquivos Privados que pertenceram a ilustres paraibanos. O IHGP foi fundado em 1905 e é uma das instituições culturais mais antigas da região.
A visita ao Instituto durou quase toda a manhã, difícil nesse momento é conter o deslumbramento dos estudantes, cada árvore centenária, cada prédio colonial, tudo é observado, do calçamento à torre da igreja, tudo o que é corriqueiro no cotidiano dos pessoenses, “o essencial é invisível aos olhos…” já dizia Antoine de Saint-Exupéry. O almoço se deu ali mesmo (e quem queria sair dali?), em um restaurante no Centro Histórico, defronte a bela Praça Barão do Rio Branco (pena que não foi em dia do “Sabadinho bom”…), que também serviu de deleite em seus bancos e suas sombras. Ao caminhar por aquelas cercanias, visitamos o Ponto de Cem Réis e a Igreja da Misericórdia, templo de arquitetura maneirista que guarda os restos mortais das primeiras famílias europeias que chegaram à cidade, com destaque ao Duarte Gomes da Silveira e sua esposa, personagens de relevância para a fundação e desenvolvimento do lugar. Nela é possível ver algumas escavações (sob tampa de vidro), trabalho realizado em 2006 durante sua restauração.

Ali temos a Casa do Patrimônio do IPHAN, onde foi o erário público, temos casarões com azulejos portugueses; alguns prédios em ruínas, é verdade, dando seus últimos suspiros, aguardando ações emergenciais que os preservem. Caminhamos pela rua Duque de Caxias, até chegar ao conjunto barroco do Centro Cultural São Francisco, composto pela Igreja de São Francisco e Mosteiro de São Bento com detalhes arquitetônicos e históricos formidáveis.
No fim deste passeio histórico, restou-nos observar o pôr-do-sol ao lado do Hotel Globo, fitando o rio Sanhauá e fazendo uma viagem no tempo, voltando ao momento da conquista e fundação da cidade, os navios, as escaramuças, o ambiente. Momento para admirar ainda mais esta cidade. Este é só um roteiro dentre inúmeros que o Centro Histórico proporciona, elementos de sedução responsáveis por nos apaixonarmos ainda mais por essa cidade que está de parabéns.

Thomas Bruno Oliveira

Historiador e Jornalista – 3372-PB

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