FORTALEZA DOS REIS MAGOS, IMPORTANTE ROTEIRO TURÍSTICO DE NATAL

junho 9, 2019

A beleza histórica do Forte dos Reis Magos

O Forte (ou Fortaleza) dos Reis Magos foi – e é – o marco inicial da história da cidade do Natal, capital do Rio Grande do Norte. O Forte foi fundado em 25 de dezembro de 1599. Recebeu esse nome em função da data de início da sua construção, em 06 de janeiro de 1598, dia dos Santos Reis Magos, segundo o calendário católico.
A Fortaleza dos Reis Magos é o mais importante “point” turístico e cultural de Natal, a capital Espacial Brasileira, e é uma edificação militar histórica. Desde os recentes Governos de Rosalba Ciarlini e Robinson Farias, a Fortaleza dos Reis Magos esteve estagnada, abandonada, e depois, paulatinamente sendo recuperada. A atual governadora Fátima Bezerra (natural da Paraíba) garante que as instituições históricas e culturais serão literalmente revitalizadas para proporcionar bem estar aos turistas e aos nativos.

ROTEIRO HISTÓRICO

No contexto da Dinastia Filipina, quando da conquista do litoral Nordeste do Brasil, então ameaçada por corsários franceses que traficavam o pau-brasil, a barra do Rio Grande do Norte foi alcançada por tropas portuguesas, sob o comando do Capitão-Mor da Capitania de Pernambuco, Manuel de Mascarenhas Homem, com ordens para iniciar uma fortificação.
Para a defesa do acampamento, junto à praia, foi iniciada uma paliçada de estacada e taipa, com a planta no formato circular, à moda indígena, a 6 de janeiro de 1598 (dia dos Santos Reis), enquanto se procedia à escolha do local definitivo para a fortificação ordenada pela Coroa portuguesa: um recife, à entrada da barra, ilhado na maré alta e que, na vazante, permitia a comunicação com terra firme.

O FORTE SEISCENTISTA

Visão interior do Forte dos Reis Magos

Detalhe do mapa do Rio Grande do Norte no Livro que dá Razão ao Estado do Brasil com a planta do Forte dos Reis Magos. A planta do novo Forte, traçada no Reino em 1597, atribuída ao padre jesuíta Gaspar de Samperes (ou Gonçalves de Samperes), “mestre nas traças de engenharia na Espanha e Flandres” e discípulo do arquiteto militar italiano Giovanni Battista Antonelli, apresentava a forma clássica do forte marítimo seiscentista: um polígono estrelado, com o ângulo reentrante voltado para o Norte, construído em “taypa, estacada e area solta entulhada”. As suas obras ficaram a cargo de seu primeiro comandante, Jerônimo de Albuquerque Maranhão.
O segundo comandante foi João Rodrigues Colaço, e a fortificação estava em condições de defesa já no início de 1602, artilhada e guarnecida por um destacamento de duzentos homens. Encontra-se representada por João Teixeira Albernaz, o velho, na obra atribuída a Diogo de Campos Moreno (Livro que dá Razão ao Estado do Brazil, Biblioteca Pública Municipal do Porto/Portugal), no canto superior esquerdo do mapa do Rio Grande, como “Pranta do Forte que defende a barra do Rio Grande” (petipé em braças craveiras), artilhado com 10 peças em suas carretas, atirando à barbeta. Esta iconografia já reflete as obras de reconstrução executadas a partir de 1614, com planta do Engenheiro-mor e dirigente das obras de fortificação do Brasil, Francisco de Frias da Mesquita (1603-1634), quando adquiriu a atual conformação. Na ocasião, as suas muralhas foram melhoradas, recebendo contrapiso e contrafortes de reforço pelo lado do mar, bem como obras internas de habitação, em edifícios de dois pavimentos, que ficaram concluídas em 1628.

DOMÍNIO NEERLANDÊS

No contexto das Invasões holandesas do Brasil (1630-1654), a “Memória” de 20 de Maio de 1630, oferecida aos dirigentes da Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais (WOC) de Pernambuco por Adriaen Verdonck, refere-se a esta praça:
“Da cidade do Rio Grande [Natal] ao Forte chamado os Três Reis Magos há apenas a distância duma pequena meia milha [2 quilômetros], e esse Forte é o melhor que existe em toda a costa do Brasil, pois é muito sólido e belo e está armado com 11 canhões de bronze, todos meios-canhões, muitas colubrinas e ainda 12 ou 13 canhões de ferro, estes porém imprestáveis; na entrada do mesmo forte há também 2 peças e daí chega-se ao paiol da pólvora; as muralhas podem ter de 9 a 10 palmos de espessura e são dobradas, tendo o intervalo cheio de barro; ordinariamente há poucos víveres no forte, porque entre esses portugueses não reina muita ordem; a guarnição consta habitualmente de 50 a 60 soldados pagos e com a maré cheia o forte fica todo cercado d’água, de modo que ninguém dele pode sair nem nele pode entrar.”

TENTATIVA FRUSTRADA

Após uma primeira tentativa de assalto por Vandenbourg, frustrada em Dezembro de 1631, em Dezembro de 1633 inicia-se nova invasão neerlandesa: vindos do Recife em quinze navios sob o comando do Almirante Jan Cornelisz Lichthart, uma tropa de 800 soldados desembarca na praia de Ponta Negra sob o comando do Tenente-coronel Byma, cercando o Forte numa operação combinada terrestre e naval. Guarnecido por 85 homens sob o comando do Capitão Pedro Gouveia, e artilhado por nove peças de bronze e 22 de ferro, após uma semana de assédio, ferido o comandante da praça, à revelia deste é negociada a rendição por alguns ocupantes, entre os quais Domingos Fernandes Calabar (1609-1635).
Ocupada no período de 12 de dezembro de 1633 à fevereiro de 1654, com o nome Castelo Ceulen (Kasteel Keulen), homenagem a Matthijs van Ceulen, um dos dirigentes colegiados da WOC no Brasil de 1633-1634. O capitão Joris Garstman foi o primeiro holandês a comandá-la e o Conde Maurício de Nassau (1604-1679) mandou repará-la (1638).
As dependências do Forte dos Reis Magos serviram como prisão política para os implicados na Revolução Pernambucana de 1817. Entre eles destacou-se o seu líder no Rio Grande do Norte, André de Albuquerque, que faleceu em uma das suas celas, vítima de ferimento, naquele mesmo ano.

CARACTERÍSTICAS PECULIARES

O Forte dos Reis Magos apresenta planta poligonal irregular, erguido em alvenaria de pedra e cal. Em torno do terrapleno, ao abrigo das muralhas, encontram-se dispostas a Casa de Comando, os Quartéis e os depósitos; ao centro, ergue-se uma edificação de planta quadrangular, em dois pavimentos: no pavimento inferior, situa-se a Capela, apresentando vãos em arco pleno; no superior, acedido externamente por uma escada em dois lances e através de uma porta de verga reta, dispõe-se a Casa da Pólvora, coberta por uma cúpula piramidal. Nos vértices desta pirâmide, cunhais, cornija e pináculo completam o conjunto. No terrapleno abre-se, ainda, a Cisterna.

DO SÉCULO XX AOS DIAS ATUAIS

Visão externa da Fortaleza dos Reis Magos

Durante a Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918) o Forte dos Reis Magos esteve guarnecido por uma Bateria Independente de Artilharia de Costa. Foi tombado pelo Patrimônio Histórico desde 1949 e esteve sob a administração da Fundação José Augusto, órgão do Governo do Rio Grande do Norte, de 1965 até dezembro de 2013. A última grande intervenção de conservação foi realizada em 2005, com recursos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Em janeiro de 2014, a gestão do edifício foi transferida para o IPHAN. Juntamente com a Igreja de Santo Antônio, a Catedral, o Museu de Sobradinho e o Palácio do Governo, a fortificação integra um conjunto urbanístico de grande expressão em termos artísticos e histórico-culturais de Natal. Considerada uma das atrações preferidas pelos turistas em Natal, conta com lanchonete e loja de artesanato nas suas dependências.
Em novembro de 2013, a administração da Fortaleza dos Reis Magos foi repassada à União por meio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Sem investimentos, o Forte entrou em processo de deterioração e abandono. Em março de 2018, a Fortaleza volta a ser administrada pela Fundação José Augusto com a perspectiva de ser revitalizada.

Acesso ao Forte dos Reis Magos

O acesso ao Forte é feito por uma passarela, da praia ao passadiço e, a partir daí, através de uma arcada à direita, saindo para o corredor. Outra escada dá acesso ao terrapleno e ao portão para a praça. As suas características foram assim descritas por Câmara Cascudo: “O forte se erguia, a setecentos e cinquenta metros da barra, em cima do arrecife, ilhado nas marés altas. É lugar melhor e mais lógico, anunciando e defendendo a cidade futura. A planta é do jesuíta Gaspar de Samperes, que fora mestre nas traças de engenharia, na Espanha e Flandres, antes de pertencer à Companhia de Jesus. É a forma clássica do forte marítimo, afetando o modelo do polígono estrelado. O tenalhão abica para o norte, mirando a barra, com os dois salientes. No final, a gola termina por dois baluartes. O da destra, na curvatura, oculta o portão, entrada única, ainda defendida por um cofre de franqueamento, para quatro atiradores e, sobrepostos à cortina ou gola, os caminhos de ronda e uma banqueta de mosquetaria. Com sessenta e quatro metros de comprimento, perímetro de duzentos e quarenta, frente e gola de sessenta metros, o forte artilhava-se de maneira irrepreensível. Atiraria por canhoneiras e a mosquetaria pela gola em seteira no cofre ou de visada na banqueta. A artilharia principal atirava à barbeta.”

Liszt Madruga

Jornalista e Presidente da ABRAJET – RN

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