UMA LUZ NO FIM DO TÚNEL?

abril 4, 2019

Começam a se notar luzes no fim do túnel, após um longo período de desaceleração econômica que caracteriza a economia brasileira nos últimos seis anos, cujos reflexos sobre o turismo são desastrosos.

Dados da IATA- International Air Transport Association e da BRAZTOA-Associação Brasileira de Operadores de Turismo, publicados em meados de março, mostram um crescimento firme nos negócios das viagens nacionais e internacionais. A primeira anunciou que as viagens aéreas no mundo cresceram 6,5% no ano de 2018, enquanto a segunda anunciou uma elevação de 7,1% nas vendas de pacotes de suas 81 associadas, um dado promissor, já que elas representam cerca de 90% das viagens de laser no País.
Os dados da IATA indicam ainda que o mercado de transporte aéreo brasileiro mostra sinais de recuperação, que se mantiveram firmes no ano passado. O que não mostra é que ele poderia ter crescido muito mais se não fossem dois fatores a segura-lo, o problema de segurança pública – que continua sério e sem horizonte de solução, e a falta de conectividade entre as capitais e importantes cidades brasileiras, fundamentais para o turismo e a economia, o que faz, por exemplo, que uma viagem entre uma capital do Nordeste e uma capital do Sul –em distância de 2.000 k – demore até 12 horas ou mais, nas inúteis paradas em hubs muitas vezes sem sentido.
É preciso que o bom senso volte a imperar na vida pública brasileira, conduzindo a ação das autoridades para a solução do problema da conectividade. As empresas aéreas, por exemplo, argumentam que seus aviões precisam alcançar o turning point, ou seja um número mínimo de passageiros para viabilizar um voo direto entre dois pontos. Mas, isso se tornaria possível se elas usassem uma frota mais adequada ao perfil das viagens. Aviões de 70 a 100 lugares, por exemplo, podem oferecer essa oportunidade, contra as dificuldades de se conseguir o ponto de retorno em aviões de 180/200 lugares. Do ponto de vista econômico, isso é possível. O que falta é gerência com competência, transferindo ao passageiro os resultados desastrosos dessa gerência.

Hélcio Estrella

Jornalista de economia e turismo, ex-Presidente Nacional e atual membro do Conselho Nacional da ABRAJET

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