Águas de março

abril 4, 2019

Estive na reunião de março do Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica e reencontrei meu querido amigo Berilo Ramos Borba, é sempre uma alegria encontrá-lo e nossas conversas sempre chegam a Serra Branca, nossa rainha do Cariri. Na despedida, sabendo Berilo que eu iria a Serra Branca no dia seguinte, apertou minhas mãos e num tom lamentoso e um tanto autoritário disse: “Amigo Thomas, você vai pra Serra Branca, leve chuva pra lá que tão precisando”. Apertei suas mãos e em um misto de angústia e emoção olhei em seus olhos e disse: “Deixe comigo meu querido, no que depender de mim, levarei sim!
Já em Serra Branca, na manhã de sábado, fui ao sítio Várzea Alegre, para o recanto aconchegante do meu querido amigo Zezito, o Professor José Pequeno, fui lá para combinarmos os detalhes da reunião do Instituto Histórico e Geográfico de Serra Branca do qual ele é presidente e eu participo da diretoria. No sítio nos aguardavam o simpático Prefeito de Serra Branca Souzinha e o secretário municipal AderbalLeka. Batemos um bom papo durante a tarde do sábado, momento em que recebi a programação das comemorações do aniversário da cidade que fará 60 anos no próximo dia 27 de abril e o IHGSB integrará as festividades com sua reunião ordinária.
Na ida a Serra Branca fui banhado por um sereno de São João do Cariri até a entrada do sítio, nas proximidades da zona urbana de Serra Branca. Naquele momento eu já lembrava as palavras de Berilo e sorrateiramente observei o horizonte, o vento frio e forte revirava o mato e uivava no encontro com os lajedos; vi a Serra do Saco, a do Jatobá e sorri. Perto das quinze horas, a chuva se intensificou de uma maneira que nos encheu de alegria e esperança. É engraçado que no Cariri a chuva traz mais sorrisos que as melhores piadas de Zélezim, é contagiante a comemoração. Chuva pouca é bom, chuva muita é melhor ainda, me disse “Tõe”, irmão de Zezito.Na área de lazer onde estávamos, me abriguei justamente dentro da piscina para me esconder do frio. A diferença de temperatura deixou a água morna, agradabilíssimo era sentir o calor da piscina e os vigorosos e frios pingos da chuva que salteavam na superfície da piscina, um espetáculo de encontro das águas, um azul claro e brilhante que se destacava e refletia o horizonte gélido e cinza.
Lá pelas tantas, raios, inúmeros trovões e relâmpagos que mais parecia que os céus estavam ali a nos fotografar, um intenso, raro e lindo espetáculo da natureza. Me dei conta que o verão se foi há poucos dias e março está “se indo”, cantarolei então parte da canção de Tom Jobim‘águas de março’: são as águas de março fechando o verão, é promessa de vida no meu coração… Nas redes sociais, vi um sem número de vídeos e informações sobre chuvas no Cariri, em Monteiro vi populares pegando peixes no meio de ruas que mais pareciam rios. Uma beleza, coisa linda de se ver. O rio Taperoá está maravilhoso, caudaloso como é, tem água passando por toda sua largura e tudo isso descendo para a calha do Rio Paraíba e, por conseguinte, as águas se encaminhando para o açude Epitácio Pessoa, nosso querido Boqueirão do Carnoió.
Voltei para Campina com a missão cumprida. Agora vou ligar para Berilo e dar notícias da chuva que “levei” para o Cariri. As águas de março foram históricas e tive o prazer de presenciar essa boa nova e me banhar no Cariri. Maravilha!

Thomas Bruno Oliveira

Historiador e Jornalista – 3372-PB

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