CHAPA BRANCA, É HORA DE REDUÇÃO

janeiro 7, 2019

Na hora em que o Brasil optou pela renovação política, com uma varrida sem precedentes no lixo da história, não seria também hora do Brasil atualizar suas práticas até aqui danosas ao País?

Tomemos como sinal a relação onde a maioria dos políticos ficha-suja foram punidos com o não voto. Não estaria na hora de se rever e eliminar a presença do Estado em atividades que devem caber apenas ao setor privado? Tomemos o turismo como exemplo.
Neste, lembro de algumas atividades que deveriam caber ao setor privado e que estão, inexplicavelmente, nas mãos da burocracia pública, estatizadas. O CADASTUR e a classificação de cidades como estâncias turísticas são algumas delas. O primeiro deveria ser transferido a órgãos de representação privada, talvez uma nova entidade formada e custeada, sem recursos públicos, para o controle conjunto de organismos como a ABAV-Associação Brasileira de Agências de Viagens e a ABIH-Associação Brasileira da Industria de Hotéis entre outras, por exemplo. A classificação de estâncias turísticas é outra forma de atividade privada englobada pelo governo, uma forma de se criar empregos para colocar parentes e amigos de políticos sem nenhuma vivência com o mundo dos negócios. Nas mãos de políticos, além de sinecuras, ela amplia o poder sobre áreas da sociedade. Um município que obtém essa classificação, além da divulgação e exposição nas listas oficiais do Ministério do Turismo, pode obter recursos públicos para obras de infra- estrutura, embora possa também servir para a construção de fontes luminosas, que podem render muitos votos em cidades menores. Finalmente, assenhorando-se de trabalho que deve caber ao setor privado, o Conselho Nacional de Turismo, enclave no Ministério do Turismo que não se sabe até agora a que veio. Seus membros, é verdade, não ganham nada. Mas, recebem uma carteirinha de couro, bonita, com o brasão da República gravado, e suas sessões são de dar sono ao mais empedernido sonâmbulo, além de acobertarem atividades, talvez secretas, de pessoas que não reúnem condições de ali terem assento. E o custo final para o Tesouro é muito alto. Há também as verbas que o Tesouro repassa a algumas entidades privadas, outrora controlada, no Rio, pelo ex-governador Sergio Cabral, e que servem também para pagar salários milionários a executivos, muito melhores que eles receberiam no setor privado.
São entidades chapa-branca, sem comprovada justificativa dos gastos que geram ao Tesouro, e que ficariam melhor, com garantida produtividade, como entidades privadas.

Hélcio Estrella

Jornalista de economia e turismo, ex-Presidente Nacional e atual membro do Conselho Nacional da ABRAJET

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