Encontro Internacional de é realizado na Bahia

setembro 3, 2018

O I Encontro Internacional de Jornalistas de Turismo tinha que acontecer na Boa Terra, não desmerecendo outros rincões desse país mas a nossa primeira capital possui um sem número de predicados que a credenciou para a recepção deste grandioso evento, que contou com a participação de 16 seccionais estaduais da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo – ABRAJET e também de uma delegação uruguaia. Ao todo foram mais de uma centena de jornalistas especializados em turismo, evento que marca a classe pelo momento reflexivo e a importância deste profissional não apenas promovendo e consolidando destinos turísticos mas entendendo seu papel social e estratégico no crescimento econômico e na qualidade de vida do país que passa por tão turbulento momento político.
A recepção de abertura foi com um coquetel na orla da Ribeira. Ribeira de Armandinho, Dodô e Osmar, Ribeira de Raul Seixas e de intensas manifestações culturais e uma delas pudemos conhecer, foi o pontapé do evento ocorrido no início da Avenida Beira Mar, os jornalistas foram recebidos por um grupo de baianas, uma charanga, um grupo de capoeira e ‘Os Caretas de Dodô de Acupe’, grupo filho de Santo Amaro da Purificação, terra de Dona Canô, e formado por figuras mascaradas vestidas com longos trajes avolumados por palhas de bananeira; fazendo companhia, uma banda tocava o tradicional samba baiano, ritmo frenético, rico em percussão, diferente do amaxixado samba carioca,

contagiando não só os mascarados como a todos em volta. Os caretas mais pareciam espíritos que com sua extravagância nas cores e nos chifres das máscaras, não se olvidava em assombrar crianças, atiçar curiosos e também cachorros pelo caminho. Eles são marcas de um carnaval antigo, onde se mascarar era permitido. A tradição remonta 1850 quando escravos vendo o rito da casa grande, nas cercanias da baía de todos os santos, construíram suas máscaras e fizeram seu próprio carnaval. A irreverência do grupo era contagiante e, como n’um bloco, seguimos atrás pois ali “só não vai quem já morreu”.
Noite agradável e festiva, afinal estava sendo aberto um dos maiores eventos do seguimento turístico nacional. A riqueza baiana já se mostrava nas apresentações culturais, contamos com boa música e petiscos tradicionais como o abará e o xixi de bofe. Sentíamos ali o gostinho da boa terra.
No dia seguinte houve a abertura oficial; jornalistas e autoridades, todos reunidos pela manhã no Wish Hotel da Bahia, templo da hospedagem que foi projetado para ficar pronto para a copa de 1950 e que no fim a Fonte Nova não foi concluída, retirando-a do mapa de sedes a capital baiana. No saguão, um trio de forró cantava Dominguinhos e demonstrava que os soteropolitanos também gostam de forró e das festividades juninas. A cidade de Salvador foi apresentada pelo Secretário de Cultura e Turismo de Salvador Claudio Tinoco que com propriedade fez perceber as potencialidades do município e as possibilidades de atuação. Em seguida, duas palestras eram aguardadas pelos jornalistas, a primeira ‘A Influência Digital na Comunicação do Turismo’ por Fernando Jardim e a segunda ‘O Jornalismo Literário em Busca da Realidade Mágica’ por Paulo Atzingen, temática interessante e inovadora pois carece ao jornalismo em turismo atual uma verve romântica e encantadora, acreditamos que a crônica cumpre bem esse papel. O palestrante provocou: “Passamos muito tempo de nossas vidas correndo atrás de pautas alheias e esquecemos de criar as nossas próprias. Essas sim, têm a ver conosco, com a nossa história de vida, nossa essência de jornalistas e, sobretudo jornalistas de turismo” e ele tem razão! Houve uma visita técnica pela cidade baixa, vimos o santuário da Irmã Dulce, Igreja e mercado de São

Joaquim e na orla da Ribeira pudemos saborear um delicioso sorvete na tradicional Sorveteria da Ribeira, patrimônio gastronômico e histórico do lugar. Após uma breve passagem no Mercado Modelo, o passeio findou com um jantar no Coliseu Pelourinho. Fundado em 1999, o restaurante traz uma culinária de caráter internacional, mas não fugindo a comida baiana tradicional. Provamos uma caipirinha gourmet com cachaça ‘made in Bahia’. Abrilhantando a noite, no centro do restaurante, o grupo folclórico Topázio trouxe com riqueza uma série de miniespectáculos mágico-religiosos, onde se pode contemplar a musicalidade, religiosidawde e a dança da boa terra. O Coliseu funciona em um soberbo sobrado no largo do Cruzeiro de São Francisco, espaço romântico que pode ser apreciado da sacada do restaurante, é pegar uma mesa próximo a janela e ser agraciado com aquela bela paisagem histórica. Dali, é uma riqueza ver o tempo passar…
Uma das molas propulsoras do turismo baiano é o seu aeroporto, o Aeroporto Internacional de Salvador (Deputado Luís Eduardo Magalhães) que, em obras, é administrado pela Vinci Airports. Júlio Ribas fez uma apresentação das obras e das pretensões da empresa para melhorar ainda mais a principal entrada de turistas em território baiano. Ele destacou que com a paralisação das estradas, enquanto outros aeroportos fechavam por falta de combustíveis, o de Salvador teve acréscimo de 30% em suas operações e passou a ser uma base regional para o abastecimento de aeronaves.
Outro lugar memorável que tivemos a oportunidade de conhecer foi o Museu da Gastronomia Baiana, templo da culinária e escola gastronômica do Senac. Numa bela recepção, os jornalistas foram recebidos com uma saborosa batida de caju e de coco e um buffet riquíssimo contendo todos os elementos que identificam a culinária da terra, fartamente identificada pelos frutos do mar, o leite de coco, acarajé e a pimenta.
Os jornalistas ficaram hospedados nos hotéis Ibis Rio Vermelho, Mercure, Portobello, Fiesta Hotel, Grande Hotel da Barra, Mar Azul, Monte Pascoal, Othon Hotel, Real Classic, Catussaba, e no último dia todos foram reunidos no Bahia Plaza Hotel, em Camaçari. Na cidade, conhecemos a bucólica Arembepe, o projeto Tamar de proteção a tartarugas marinhas e a Aldeia Hippie, comunidade instalada na década de 1970 e que recebeu presenças ilustres como os músicos Janis Joplin, Micky Jagger além do escritor Vinícius de Morais, hoje atração turística de primeira grandeza, população extremamente receptiva, lugar onde percebemos que não precisamos de muito para sermos felizes.
Encerrando o evento, fomos brindados com um esplêndido espetáculo da banda Aldeia (anotem esse nome!) liderado pelo cantor Ivan, figura performática de atuação majestosa, à moda de Ney Matogrosso, com a mesma grandeza, elegância e entrega. O palco montado no gramado de um dos jardins do Bahia Plaza competiu com o brilho da lua cheia. Mistério, misticismo, religiosidade afro-baiana, tudo isso impresso no palco. Atabaques surdos e timbaus sonoros embalaram a noite, momento inesquecível. A Bahia organizou muito bem esse encontro de modo a encantar todos os presentes, de parabéns estão o Presidente da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo – ABRAJET-BA o Jornalista Gorgônio Loureiro e todos os que compões a entidade (Bené, Hermes, Nelson Rocha, Ana, Jarbas, Luiz, Lúcia, Duda, Berna e Marcelo). Viva Salvador, viva a Bahia.

 

Thomas Bruno Oliveira

Historiador e Jornalista – 3372-PB

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