Bahia da felicidade

setembro 3, 2018
Bahia de todos os santos, de todos os encantos. Bahia da magia, de São Salvador, de Mãe Menininha do Gantois, de Castro Alves, de Dorival e Nana Caymmi, de Jorge Amado e de Dona Canô, Bahia do seu povo alegre e generoso, Bahia da poesia inscrita com tintas indeléveis na descontinuidade de seu relevo, geografia que flameja a riqueza arquitetônica que nos leva ao nosso mais antigo passado colonial. Salvador, nossa primeira capital nacional; caldeirão cultural em que o seu percurso histórico a transformou em Patrimônio Histórico da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Bahia também de seus visitantes, por que não? Terra majestosa e singular.
Salvador é uma das cidades que vemos com maior clareza o caminhar de seu passado, o lugar parece saber reconhecer sua historicidade, seus tempos, suas eras, as grandezas e declínios circunscritos na dicotomia do novo com o antigo; vemos marcas de vários períodos, dos áureos aos conflituosos, muita cultura, muita arte. No subir e descer do Elevador Lacerda vemos uma cidade que pulsa, um comércio da cidade baixa que dorme ao ocaso, orla mágica que de dia nos convida a nos refrescar espiando a baía de todos os santos e a admirar – ao longe – a famosa ilha de Itaparica e a noite volta seus olhares para si, descortinando um patrimônio de lazer e boemia no frescor da brisa oceânica ou ainda mais para dentro nas atrações culturais do pelourinho, na cidade alta. Salvador viva, quente, pulsante, intensa.
O Encontro Internacional dos Jornalistas de Turismo me recrutou para conhecer e poder sentir a Boa Terra, estar diante da Baía de Todos os Santos, conhecer suas entranhas, tudo sob as bênçãos do Nosso Senhor do Bonfim. E fui. Conhecedor de fragmentos de seu passado histórico, tentei ao máximo conter qualquer deslumbramento, optei por me deixar seduzir, condição que aguçaria os sentidos. Com prudência, olhar com os olhos da realidade e não simplesmente com os do coração. Isso me fez conversar com muita gente da cidade: vendedores ambulantes, pequenos comerciantes, operários da construção civil, garçons, gente anônima em paradas de ônibus; acreditava que todas elas me aproximariam melhor da realidade local, longe do glamour turístico – que também é importante – e me parece que fiz a escolha certa.
Vi a cidade permeada de obras e a tônica era a requalificação, quer seja da orla, de uma praça, de um imóvel para um museu… requalificar estava na ordem do dia! E comecei a visitar os lugares. A orla desde Itapoã até a Ribeira está realmente sendo transformada, embelezada, e a vivência nela está sendo promovida pois são áreas de convivência extremamente aprazíveis.
Museus estão sendo construídos, um novo Centro de Convenções na beira mar promete ser um grande equipamento turístico e de eventos em no máximo um ano, vi pelas placas muita coisa inaugurada nos últimos 3 anos e voltando aos soteropolitanos com quem conversei (e em bate-papo que ouvia discretamente), a opinião da quase totalidade é que a cidade está muito melhor nos últimos anos. O amigo Gorgônio Loureiro, presidente da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo (Abrajet-BA), não só confirmou a tese como atribuiu o fato à saudável concorrência existente entre o governo municipal e o estadual, de vertentes políticas diferentes, buscam “mostrar serviço” na capital de todos os baianos. Mas quer dizer que tudo está “às mil maravilhas”? Claro que não. Mas o trabalho e o compromisso com o resultado é confortante. Fiquei pensando na grandeza que é para a população estar sob bons governos. Uma população alegre e com autoestima nas alturas, foi o que vi, e senti.
Foi quase uma semana de extrema riqueza e aprendizado, cinco dias temperados com as deliciosas especiarias baianas.
Thomas Bruno Oliveira
Historiador e Jornalista – 3372-PB

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