Voos Inte-regionais, fomento ao Turismo

agosto 8, 2018

No Brasil acostumado a desperdiçar dinheiro em planos governamentais mirabolantes, soa bem aos ouvidos as notícias de mudanças estruturais que vem ocorrendo no turismo. Por exemplo, as dos voos inter-regionais que a iniciativa privada vem implantando, ligando diretamente, fora dos conhecidos hubs de aviação muitas de suas cidades.
Criar riquezas e empregos não é tarefa de governos. Isso cabe à sociedade e aos seus agentes. Mas, como o senhor poderoso que não precisa de ninguém, governos anunciam sempre investimentos substanciais de dinheiro que não tem para aumentar o número de aeroportos menores e incrementar a aviação regional. Com essas medidas que anuncia, promete criar empregos para muita gente. E temos ficado na promessa, com a artificialidade desses planos.
Há cerca de duas décadas, um dos melhores experts de aviação civil no Brasil, o brigadeiro e engenheiro Adir Silva, que representou o País por oito anos na OAIC, sigla em inglês da agência internacional de aviação civil, com sede no Canadá, alertava para a necessidade de se mudar a regulamentação brasileira, tornando mais fácil a operação das empresas aéreas comerciais internacionais, criando a aviação inter-regional. Por exemplo, um passageiro de Buenos Aires que se destine à capital do Mato Grosso possa descer diretamente em Cuiabá, sem precisar sofrer com a série de conexões a que o obrigam a percorrer dois ou três outros terminais, num voo que pode durar 20 ou mais horas viajando, quando ele precisa de apenas 2:15 para voar da Argentina para o Brasil. E isso pode se estender a um grande número de cidades menores. Um passageiro de Porto Alegre perde de oito a dez horas para atingir uma capital nordestina, e vice-versa. A viabilidade deve ficar a cargo das aéreas e não do governo.
Encurtar distâncias e tempo é importante para o turismo. Ninguém gosta de ficar horas e horas esperando por conexões sem sentido, criadas por artificialismos oficiais. É preciso deixar que as aéreas voem segundo seus planos de negócios, não segundo entende o governo. O País precisa se desburocratizar para facilitar o turismo.

 

 

Hélcio Estrella

Jornalista de economia e turismo, ex-Presidente Nacional e atual membro do Conselho Nacional da ABRAJET

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