CÉUS ABERTOS

julho 3, 2018

A política de céus abertos parece ser a melhor alternativa para se ampliar a democratização do avião. Aos que se opõem à sua adoção, dizemos que existe um espirito corporativista que tenta fazer crer que a aviação comercial precisa do controle direto do governo. Balela, o que esse espirito visa preservar é uma forma cartorária de interesses privados, com ajuda governamental ; segundo, que a exigência de capitais em volumes compatíveis a empreendimento dessa magnitude é coisa do passado, já que a maioria das frotas comerciais que voam no Brasil e no mundo não pertencem às empresas aéreas, são resultado de uso por leasing, dispensando dinheiro para compra do produto mais caro, o avião; terceiro, se avaliarmos uma empresa aérea pelo valor de seu patrimônio tangível, ele valerá muito pouco; seu valor se obtém pelo seu potencial de gerar negócios e lucros; e, quarto, as questões de segurança invocadas se aplicam a todos que possuem avião, seja aquele que pode ter seu próprio aparelho seja qualquer grande transportadora aérea comercial do planeta.
Existem no Brasil grupos econômicos que gostariam de operar aéreas comerciais, mas seus líderes sentem verdadeiro arrepio quando lembram das dificuldades para isso. Algumas construtoras e alguns grandes bancos brasileiros fizeram experiências tímidas em passado recente mas acabaram pulando fora ao perceber que era fria. O grau de ingerência governamental é de tal ordem que parece existir para afastar empreendedores ousados para manter o estado cartorial do setor aéreo.
Os absurdos tarifários que as aéreas comerciais praticam são estimulados pelo governo e garantidos pelo monopólio mantido com a política de céus fechados. Um ano atrás, as aéreas passaram a cobrar pela bagagem do passageiro. A liberdade de mercado na democracia lhes assegura essa prática, afinal bagagem é peso e exige gastos com combustível e outros custos inerentes. Faço uma ressalva: entre os argumentos para instituir a cobrança, disseram que era uma forma de diminuir os custos das tarifas. Os passageiros pagavam um pouquinho e sua passagem custaria menos. Se alguém provar que isso aconteceu pode me contatar que pago um almoço da melhor qualidade. A experiência mostra que céus abertos podem ser mais úteis aos brasileiros que o atual sistema de cartórios, que só beneficia aos que detém a sua concessão. As atuais aéreas podem quebrar? Qual o problema? Diariamente muitas empresas quebram no Brasil e no mundo sem que isso cause comoções. O Brasil abriu em passado recente o mercado dos bancos. O Itaú, o Bradesco e outros bancos saíram fortalecidos com a concorrência internacional, ganharam mais dinheiro, mas beneficiaram seus clientes com serviços mais seguros e de melhor qualidade e hoje oferecem um mercado invejado no mundo.
A experiência mostra que céus abertos podem ser mais úteis aos brasileiros que o atual sistema de cartórios, que só beneficia aos que detém a sua concessão.
O turismo quer democracia nos negócios.
O autor, jornalista, é ex-Presidente Nacional da ABRAJET-Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e colunista da revista/portal BANCO HOJE.

 

Hélcio Estrella

Jornalista de economia e turismo, ex-Presidente Nacional e atual membro do Conselho Nacional da ABRAJET

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