Demasiadamente humano

Maio 3, 2018

Via sempre nos jornais as menções sobre o evento ‘Pôr do Sol Literário’ e, desejoso em participar, nunca consegui garantir presença já que o sodalício vespertino sempre ocorria no meio da semana e em conflito com reuniões e outros compromissos. Esse sarau, promovido pela Confraria Sol das Letras, é uma ótima oportunidade de encontro entre escritores e leitores, contando sempre com apresentação de livros e outros eventos culturais. Daí me chega a notícia do lançamento do escritor Ramalho Leite com apresentação da minha amiga Zélia Almeida, não teria oportunidade melhor de participar e logo em sua edição número 50, dei um jeito e fui.

Na última quinta-feira (5/4/18) desci a Serra da Borborema acompanhado do amigo poeta Zé Edmilson. Chegamos ao Centro Histórico no fim de tarde, onde o arrebol dava tons soberbos aquela majestosa arquitetura colonial. Caminhei um pouco defronte a Igreja de São Francisco, me benzi olhando aquele cruzeiro, tomando a benção histórica daquelas construções centenárias; observei o movimento da rua Duque de Caxias e segui para a sede da Academia Paraibana de Letras, a APL. Ali, no florido Jardim de Academvs, pude sentir a grandiosidade daquele evento conduzido pelo Presidente da APL o escritor Damião Ramos Cavalcanti, anfitrião que ultimava os preparativos. Um a um iam chegando: Marco di Aurélio, Luiz Paiva, Carlos Azevedo, Zélia Almeida, Juarez Farias, Flávio Brito, Paula Almeida, Juca Pontes, Rosa Aguiar, Flávio Sátiro, Chico Pereira, Messina Palmeira, Abelardo Jurema, Gilvan Freire, Ana Gondim, Luiz Fernandes, Socorro Xavier, Waldir Porfírio, Marinalva Freire e tantos outros que abrilhantaram o encontro. Os compositores Antônio Barros e Cecéu chegaram acompanhados da filha Maíra, não perdi a oportunidade de trocar algumas palavras e cantarolar alguns dos muitos sucessos deles na Música Brasileira.
O evento teve início. O escritor Ramalho Leite foi muito aplaudido e Zélia Almeida tomou a palavra para uma bela e rica apresentação do livro ‘A História como eu conto’ (A União, 2017). Para Zélia o livro é demasiadamente humano (e realmente é!). Ramalho deduz fatos, arruma a história sistematizando a Parahyba antiga com a Paraíba moderna numa escrita pitoresca. Bem ao modo Ramalho Leite de escrever, os textos são instigantes, saborosos, burlescos, anedóticos, pitorescos, numa forma de contar história que só ele tem, trazendo uma série de nuances e sutilezas tecidas em um enredo histórico que se descortina as vezes de forma surpreendente; “o estilo é o homem” já afirmava Machado de Assis.
A ideia do livro é muito interessante justamente pela possibilidade de coligir uma série de artigos que, publicados em jornais, tem uma tendência de serem esparsos a não ser que fiquem confinados em velhos arquivos, jazendo a poeira dos tempos, longe do acesso fácil dos leitores de outras épocas distantes daquela data específica em que foram publicados. Hoje, Ramalho Leite está aqui na página ao lado, nos fazendo companhia aos sábados, continuando seus escritos e nos brindando com sua maestria.
Fez parte do evento o lançamento do livro ‘Múltiplos olhares sobre o testamento de Dom Agápito’ (Ideia, 2018) da Profa Marinalva Freire; a exposição artística do grande Wilson Figueiredo e uma prestimosa homenagem a Antônio Barros e Cecéu. E assim voltamos felizes para a Rainha da Borborema, inebriados de boas conversas, de retumbantes sorrisos, coisas que só um terno encontro com amigos e amigas de ideais em comum é capaz de proporcionar.

 

 

Thomas Bruno Oliveira

Historiador e Jornalista – 3372-PB

Nenhum Comentário

Os comentários estão fechados.