Dificuldades no Aeroporto Castro Pinto

abril 9, 2018

Durante longos anos a Paraíba esteve à margem da rota turística nesse mundo nordestino brasileiro tão belo. Dizia-se em tom de blague que os turistas, em viagem turística ao Nordeste, por via aérea, chegavam a Recife, dançavam frevo, tomavam o destino do aeroporto para chegar a Natal, e de lá seguiam em direção a outros destinos situados mais ao norte do Brasil. Da mesma forma, aqueles que estavam em viagem terrestre, chegavam ali, no local denominado Três Lagoas (entrada de João Pessoa), avistavam uma placa com seta à esquerda indicando Campina Grande e Natal, e nessa direção seguiam. Quer dizer, nem o contingente de turistas de transbordo (aqueles que ao chegar a um destino não encontram as condições suficientes para ali permanecerem), nem os de experiência (os que arriscam o destino), nem os itinerantes (que se destinam a um ou mais núcleos receptores, não permanecendo nesses locais por mais de 12 horas, isto é, não gerando nem a possibilidade de um pernoite), João Pessoa conseguia captar.
Pois bem… Algumas ações foram iniciadas… Há trinta anos, esta revista faz parte de um movimento pró-turismo na Paraíba que visa, principalmente, atrair divisas para o Estado da Paraíba, como forma de ser mais um vetor para o desenvolvimento socioeconômico para esse pedaço do Brasil.
Na campanha, começaram a ser identificados os principais motivos de tão aparente desprezo. Detínhamos armas infalíveis para movimentar o setor: belezas naturais, gastronomia inigualável, artesanato sublime, povo acolhedor e prestimoso, praias belíssimas, história comparável àquelas mais ricas, contada em verso, prosa e monumentos, cultura a perder de vista, artistas deslumbrantes… Quer dizer: um aparato que comove o turista mais simples e o mais exigente.
Todo o corpo turístico paraibano da época arregaçou as mangas. Diagnosticou que de posse dos atributos acima identificados faltava uma parceria de interação entre os poderes públicos e a iniciativa privada. Flecha no alvo. Daí, definiram-se pontos a serem trabalhados, cada qual em sua área: intercâmbio com outros estados e países, infraestrutura logística e de apoio e representatividade.
O Caderno de Turismo orgulha-se de ter acompanhado cada passo dado em direção ao cenário atual e o que há de vir. A iniciativa privada perdeu seus temores e dotou João Pessoa e Campina Grande de uma rede hoteleira, antes limitada aos tradicionais hotéis, que agora está disponibilizando quinze mil leitos; nas duas cidades, onde antes havia um pequeníssimo número de bares, lanchonetes e restaurantes, encontram-se hoje unidades de trabalho que atendem a todos; o transporte aéreo, considerado naquela época já um “calcanhar de Aquiles”, já coloca João Pessoa em contato com o país através de vários voos, mesmo sabendo-se que muito tem-se a melhorar nessa área; contamos com uma estrutura receptiva consolidada, representada por importantes empresas de transporte do turista, muitas locadoras, enfim perfeitamente adequada ao que se exige de serviços de transporte;
Ao poder público, como não podia deixar de ser, basicamente ficaram os encargos: implantação de uma infraestrutura, pelo menos compatível ou mínima, com o exigido por uma demanda turística já imaginada como a de hoje; implementação de programas turísticos em apoio às ações desenvolvidas pela iniciativa privada.
Debalde, mais uma vez os poderes públicos foram incompetentes no que concerne ao apoio esperado pelos demais participantes, e de uma maneira geral da população, sempre esperançosa em trazer mais riquezas para este lado de cá. Mas não… O poder público falhou. O Aeroporto Castro Pinto é um exemplo do que não deve ser feito. Quando todas as construções e reformas de complexos aeroviários dotam as respectivas unidades de modernismo, suntuosidades, praticidades, funcionalismos aqui na Paraíba, depara-se com um monstrengo. O Aeroporto Castro Pinto é uma bizarra testemunha da engenharia paraibana, um arcabouço de coisas mal engendradas.
O que se vê é um sistema de embarque e desembarque mal estruturados, em ambientes reduzidos que dificultam a locomoção do usuário; acesso viário sem sinalização adequada desde a rodovia federal, sem iluminação suficiente a dar segurança a quem chega e a quem sai; uma pista inacabada (da rodovia até ao aeroporto) já há muito tempo, cheia de crateras, proporcionando desconforto a quem dela se utiliza.
Pois bem: o poder público tem que olhar com seriedade para aquele lado de entrada e saída da Paraíba.

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