Domingo memorável

abril 9, 2018

O dia amanheceu ameno. Poucos dias restam para o fim do verão. Março ganha corpo e queira Deus que suas águas (que banham o Cariri) não nos abandonem. O Açude de Boqueirão recebe mais e mais centímetros a cada dia e um pouco de suas águas já são liberadas para seguir o Paraíba e chegar até Acauã, onde os habitantes da Comarca das pedras, sedentos, poderão usufruir desta eminente segurança hídrica. Viva São Francisco!
Manhã de domingo, tudo pronto para a I Expedição Histórico Cultural onde oficiais do Exército engajados no 31º Batalhão de Infantaria Motorizado (de Campina Grande), juntamente com familiares e convidados teriam a oportunidade de conhecer patrimônios que contam um pouco da história da Paraíba. A atividade foi promovida pelo Instituto Histórico de Campina Grande – IHCG com apoio da Sociedade Paraibana de Arqueologia – SPA.
O primeiro destino foi a Pedra do Ingá e ainda no centro da Rainha da Borborema, começamos a conversar com a turma, trazendo alguns dados históricos de Campina Grande, foi quando passamos pela Avenida Canal; imaginem só que aquela avenida, construída na década de 1970 na gestão do Prefeito Enivaldo Ribeiro, tinha a intenção de ser uma alça entre a BR 230 e a BR 104 (norte) para que os caminhões não pudessem passar nas ruas do centro da cidade, tempos em que o centro se resumia da Catedral às Damas. Como Campina cresceu.
A descida do planalto foi reveladora. Muitas vezes não prestamos atenção no pendor disfarçado no serpentear da estrada, saímos de uma elevação de 570m na colina da Palmeira e rapidamente chegamos a pouco mais de 180m no Riachão do Bacamarte, o equivalente a um edifício de 130 andares, bastante não é? Na encosta do planalto, no piemonte, está a simpática cidade do Ingá e logo mais o sítio arqueológico mais

enigmático dessas terras. O prazer da descoberta é sempre mágico e o Prof. Vanderley, autoridade no assunto, deu as explicações necessárias aos visitantes. A curiosidade e o deslumbramento eram evidentes a todo momento. A alta temperatura daquela paisagem ribeira cheia de sol não foi capaz de intimidar a turma.

No Museu de História Natural, o guia Marquinhos explicou detalhes dos fósseis ali existentes.
O próximo destino foi a capital da Parahyba onde o Instituto

Histórico e Geográfico Paraibano – IHGP (seguramente a instituição cultural mais antiga e importante do estado) preparou uma recepção em sua sede em conjunto com o Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica – IPGH. Guilherme D’Ávila Lins e Teldson Douetts Sarmento (respectivos Presidentes das instituições promotoras) compuseram a mesa em conjunto com o Coronel Márcio Rogério Brito Borges (Comandante do 31º BIMtz), Maria Ida Steinmüller (IHCG) e Joaquim Osterne Carneiro (Vice Presidente do IHGP), oportunidade em que Guilherme fez uma brilhante comunicação sobre a Revolução Republicana de 1817 trazendo informações inéditas de sua pesquisa. O grande pesquisador Adauto Ramos, integrante do IHGP e do IPGH também esteve presente recebendo a turma expedicionária.
Após o almoço, onde se degustou iguarias típicas paraibanas, a expedição cultural partiu para a Fortaleza do Cabedelo, também chamada de Fortaleza de Santa Catarina. Trata-se da nossa mais antiga construção em pedra e cal e a mais importante construção militar. As possibilidades de defesa, ataque e todos os quase 20 mil metros quadrados foram palmilhados com bastante interesse histórico, passeio abrilhantado pelas explicações do Robson, guia e frequentador do lugar desde criança.
O ocaso marcou o fim da I Expedição Histórico Cultural neste domingo memorável. Exaustos e satisfeitos, os expedicionários retornar.

 

Thomas Bruno Oliveira

Historiador e Jornalista – 3372-PB

Nenhum Comentário

Os comentários estão fechados.