A bela Dona Inês

fevereiro 9, 2018

Início do ano e a vontade geral da nação é descansar, entrar de férias. Como sou apaixonado por essa nossa querida Parahyba, não me furto a qualquer convite que seja para se embrenhar em seu seio, andar por suas veias, curtir suas sinuosidades circunscritas em relevo entremeado de volumosas serras e montanhas cujas escarpas abrem alas para vales rochosos e preciosamente esculpidos. Assim é o nosso interior.
Fui aos limites entre as terras do Curimataú e do Brejo, visitei o simpático município de Dona Inês, cidade aprazível, aconchegante, limpa, arrumada, quase todas as ruas calçadas, comércio desenvolvido…

a cidade merece um sem número de bons adjetivos, acredito que fruto de várias administrações que se sucedem desde sua emancipação em 1959. Antes disso, Dona Inês esteve umbilicalmente ligada a Bananeiras, altaneiro município vizinho, de paisagem marcante, belos contornos brejeiros. As terras de Dona Inês são habitadas desde tempos imemoriais pelos indígenas, principalmente os Tupi, ao longo do vale do rio Curimataú.

Já as sesmarias requeridas por sertanistas remontam meados do século XVIII.
Estive em Dona Inês na companhia do Prof. Juvandi Santos, que da Universidade Estadual da Paraíba – UEPB orienta inúmeras pesquisas nessa região, valorizando a história local e fomentando estudos inéditos nos municípios polarizados por Guarabira, onde se encontra o Campus III da Universidade. Fomos recebidos pelo historiador Hélio Oliveira e o simpático Júnior Campos, assessor de imprensa da Prefeitura Municipal; sua missão era nos mostrar o que o município tinha de melhor, seu patrimônio histórico e cultural. Assim, visitamos alguns lugares.
O primeiro deles foi o sítio arqueológico Letreiros do Barrocão, um matacão rochoso ornado com dois painéis rupestres contendo uma série de inscrições pintadas em vermelho ocre. São mãos carimbadas, traços feitos com os dedos semelhante a uma contagem, uma forma humana estilizada, enfim, várias pinturas que ajudam a contar o modus vivendi de homens e mulheres que viveram por essa região. O bloco rochoso pintado está na margem direita do Riacho Barrocão, ou Mulungú, que rasga os tabuleiros indo ao encontro do rio Curimataú. É inesquecível a sensação de deitar sobre os lajedos que ficam nus em épocas de estio e ouvir o cantar sonoro das águas descendo em corredeira, som relaxante, um assobio da mãe terra.
Dali fomos para o Lajedo Preto, lugar muito interessante por sua geomorfologia. Trata-se de um imenso lajedo de pelo menos 2 hectares composto de granito escuro, todo entrecortado por veios minerais formando pequenos, médios e grandes tanques. É assim, os veios de feldspato e quartzo são linhas retas e com os milhares de anos a erosão no lajedo atingiu somente o granito e não o veio, este forma uma parede muito bem geométrica, parecendo obra do labor humano. Fiquei a imaginar como seria interessante o lugar ser usado para banhos, aquela vertente é contemplativa de toda uma cadeia de serras e montanhas do curimataú, paisagem bucólica e rural pronta para ser explorada turisticamente.
Por fim, conheci o Centro Cultural e Desportivo Manoel Alves de Lima, espaço museológico que conta com um prédio principal com Biblioteca e uma série de espaços anexos soltos em um imenso jardim, que são os memoriais, representando os ciclos econômicos da farinha, do sisal e também da extração de pedra, trabalho que sustenta uma parcela significativa da população numa grande exploração no lajedo da serra.
Na próxima visita conheceremos a Mata do Seró, reserva florestal de mata atlântica com fauna e flora variadas e algumas cachoeiras como o salto do Seró de aproximadamente 22m além de outras riquezas históricas e naturais do município. Belezas de nosso estado, preciosidades que merecem ser conhecidas e valorizadas. Dona Inês, um dia voltaremos.

Thomas Bruno Oliveira

Historiador e Jornalista – 3372-PB

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