João Pessoa em seus 432 anos tem convivido de forma peculiar com todas as suas épocas. Desde Filipéia de Nossa Senhora das Neves e Frederica, quando ainda embrionária em meio ao processo de colonização portuguesa e período holandês, até a Parahyba (até 1930) e João Pessoa, que é hoje.

A capital de todos os parahybanos é uma das cidades brasileiras com a melhor qualidade de vida, só isso explica seu boom imobiliário. Possui um dos patrimônios históricos mais ricos do “norte” do Brasil, suas praias são majestosas, quer seja aquelas onde o frisson existe, ou mesmo as mais discretas, com pouco movimento, exclusiva para aqueles que querem tomar um banho tranquilo e curtir o sol, que aqui, aliás, nasce primeiro.
João Pessoa recolhe belezas naturais e históricas que seus amantes devem conhecer.

 

Recentemente fizemos uma visita com uma turma de alunos da Serra da Borborema e fizemos o seguinte roteiro:

Fomos direto ao belíssimo Centro Histórico da Capital. A primeira parada foi o Instituto Histórico e Geográfico da Paraíba – IHGP, sodalício que é presidido pelo Historiador Joaquim Osterne, que em conjunto com o Presidente do Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica, o escritor Adauto Ramos, fez a recepção da turma. Na visita, conhecemos o acervo documental do Instituto, a coleção museológica, a Biblioteca Irineu

Pinto e a Seção de Obras raras, onde estão os Arquivos Privados que pertenceram aos ilustrados paraibanos Adhemar Vidal, Alcides Carneiro, Osias Nacre Gomes, João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, Antonio Pessoa, Antonio Pessoa Filho, Manoel Arruda de Assis e Sebastião Sinval Fernandes. Neste prédio, na Rua Barão do Abiahy, estão importantes páginas da história da Parahyba. O IHGP foi fundado em 1905 e é uma das instituições culturais mais antigas da região.
A visita ao Instituto durou quase toda a manhã, difícil nesse momento é conter o deslumbramento dos estudantes, cada árvore centenária, cada prédio colonial, tudo é observado, do calçamento à torre da igreja, tudo o que é corriqueiro no cotidiano dos pessoenses, “o essencial é invisível aos olhos…” já dizia Antoine de Saint-Exupéry. O almoço se deu ali mesmo (e quem queria sair dali?), em um restaurante no Centro Histórico, defronte a restaurada e bonita Praça Barão do Rio Branco (pena que não foi em dia do “Sabadinho bom”…), que também serviu de deleite em seus bancos e suas sombras. Ao caminhar por aquelas cercanias, visitamos o Ponto de Cém Réis e a Igreja da Misericórdia, templo de arquitetura maneirista que guarda os restos mortais das primeiras famílias europeias que chegaram à cidade, com destaque ao Duarte Gomes da Silveira e sua esposa, personagens de relevância para a fundação e desenvolvimento do lugar. Nela é possível ver algumas escavações (sob tampa de vidro), trabalho realizado em 2006 durante sua restauração.
Ali temos a Casa do Patrimônio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, onde foi o erário público, temos casarões com azulejos portugueses, alguns prédios em ruínas, é verdade, dando seus últimos suspiros, aguardando ações emergenciais que os preservem. Caminhamos pela rua Duque de Caxias, até chegar ao conjunto barroco do Centro Cultural São Francisco, composto pela Igreja de São Francisco e Mosteiro de São Bento. Os detalhes arquitetônicos e históricos ficaram a cargo do Sr. Eduardo Barbosa Pontes, um experimentado guia turístico que demonstrou como se pode aprender com o riso. Simpático e extrovertido, “Seu Eduardo” é uma das poucas pessoas que conhecem tão bem este patrimônio histórico. “Há 40 anos que eu estou aqui. Cheguei como sacristão, comecei a ajudar, e hoje estou aqui. Já vi muita
coisa em todos esses anos. Gosto muito de receber as pessoas e fico feliz em ver as pessoas aprendendo com tudo isso.”, afirmou Seu Eduardo, uma das figuras que dão vida ao magnífico patrimônio histórico da capital.
No fim deste passeio histórico, resta-nos observar o pôr-do-sol na calçada da Casa da Pólvora, fitando o rio Sanhauá e fazendo uma viagem no tempo, voltando ao momento da conquista e fundação da cidade, os navios, as escaramuças, o ambiente. Momento para admirar ainda mais esta cidade. Este é só um roteiro dentre inúmeros que o Centro Histórico abarca, elementos de sedução responsáveis por nos apaixonarmos ainda mais por essa cidade que está de parabéns. Filipéia, Frederica, Parahyba, parabéns.

 

Thomas Bruno Oliveira

Historiador e Jornalista – 3372-PB