Alegria minha gente a Paraíba é um só arraial

junho 10, 2017

Contam os mais antigos, que junho é o mês da fartura, o mês da colheita do milho, do feijão verde, da fava. É também o mês de engorda dos bichos do terreiro: as galinhas, os porcos e cabritos são sevados, mês de mesa farta. Com a safra garantida, nada mais justo que agradecer aos padroeiros. Foi então, em agradecimento a essa dádiva, que criaram uma data comemorativa em louvor aos padroeiros: São João e São Pedro. E porque não ao santo casamenteiro Santo Antônio?
Por falar em santo casamenteiro, é nesse período que surgem as Simpatias, rituais em favor das amarrações amorosas. Jovens casais juntam alianças, pingam vela na água para ver o nome do pretenso noivo e até para reatar o namoro ou casamento.
Assim foram criadas as datas: o dia 12 de junho, dia de Santo Antônio, 24 de junho, o dia de São João, e 30 de junho, São Pedro.
Os agricultores começaram os rituais reunindo a vizinhança, todos moradores do campo e com a mesma motivação, eufóricos com a abundância, “ vamos fazer um arraial”. Juntaram-se e iniciaram os preparativos, enfeitaram o local da festa com bandeirolas, fizeram uma grande fogueira e avisavam a vizinhança que ia ter forró nas terras do compadre.
Para animar a festa, seu Mane gritava: “pega o jegue e vai avisar aos músicos que não assumam compromisso com ninguém, que vai ter festa aqui no “Arraiá”. O recado era dado aos vizinhos que tinham uma vocação musical e cantarolavam nas festas da redondeza. Os instrumentos são os usados até hoje, a sanfona ou fole, acompanhado pelo zabumba, triângulo, pandeiro e, às vezes, aparecia uma rabeca. Dançavam três dias seguidos no arraial de terra batida… E assim ficou registrado no calendário nacional.
Ainda hoje as datas são comemoradas. Dependendo das condições, tem município que comemora o mês inteirinho, e todo mundo sabe que ninguém é mais animado do que o nordestino, povo que preserva suas raízes.
Na Paraíba, são vários os municípios que capricham na festa. Cada cidade vira um arraial enfeitado com bandeirinhas. São João na Paraíba é muito mais que uma festa do calendário religioso, é antes, uma demonstração indiscutível da fé, da alegria, e da tradição da cultura nordestina. A decoração e o repertório musical são alegres e animadores, os músicos são escolhidos, e exigem que seja tocado o autêntico forró pé de serra.
Em Bananeiras o Slogan é: “São João de Bananeiras, 100% forró”, infelizmente a exigência da música original não ocorre em todos os municípios que deviam respeitar a história de nossa região. Alguns municípios não dão importância às tradições do evento, desviando o conteúdo histórico e cultural, contratando bandas barulhentas, com um repertório que nada tem a ver com o tradicional forró.
Campina Grande, por exemplo, a cada ano inova transformando a festa em um megaespectáculo, perdendo-se a originalidade. Dizem os organizadores que é a modernização. Modernizar desrespeitando a nossa cultura, nossas tradições? É bem viva na memória do povo que, quando Ronaldo Cunha Lima abriu para o público o Parque do Povo, passou para o mundo, que Campina Grande no mês de junho era a capital do forró. A mudança do estilo musical é um desrespeito ao Poeta Ronaldo e à população Paraibana.
Já Caruaru não foge das origens, e a cada ano mais turistas procuram aquela cidade nesse período. “Perder as origens é perder qualidade”.

 

 

Guet Coelho

Jornalista

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