Recôndita capela colonial é atração em Lucena

Abril 3, 2017

Em janeiro de 2011 recebi a informação de que havia uma igreja muito antiga que estava em ruínas, escondida em meio a mata na região norte do município de Lucena, distante 135km de Campina Grande. De pronto vasculhei os limites municipais através do sistema Google Earth e encontrei a imagem do que parecia ser uma ruína sem telhado com uma das partes tomada pela copa de uma árvore. Seria aquela ruína a tal igreja?
Rumei em expedição junto aos amigos da Sociedade Paraibana de Arqueologia Prof. Juvandi de Souza Santos e Dennis Mota, era sábado pela manhã. Na entrada de Lucena seguimos à esquerda por um imenso canavial, naquela entrada havia uma pequena placa improvisada com o nome Bonsucesso. Pensei, seria a padroeira da igreja? Intuição minha… Seguimos. Percorremos cerca de 7km até encontrar um bolsão de mata atlântica e um cheiro deveras salobro, denunciando que estávamos próximo ao mar e com destaque a copa de uma figueira ou gameleira, era ali. Uma breve caminhada e chegamos. De fato era a Capela de Nossa Senhora do Bonsucesso com suntuosa formação, paredes grossas, frontispício em estilo maneirista e entrada encimada por uma composição barroca esculpida no calcário com vasos, lírios, volutas e cruz, tudo envolto em musgo. Pelo abandono, o prédio estava sem telhados, paredes escurecidas e uma frondosa Gameleira com suas raízes
adventícias, verdadeiros troncos auxiliares, dando um aspecto dantesco ao conjunto. Recolhi com moradores de Lucena, que há uma serpente encantada que mora em meio às raízes e que se encanta ou desaparece de qualquer fotografia. A árvore, segundo o amigo Pe. Ernando Teixeira em seu livro ‘A quem interessa Bom Sucesso?’ (A União, 2011. 136p), cresceu rápido e antes dos 30 anos já parecia centenária e ainda: “não fosse a árvore, monstruosa e atraente, os bugueiros não estariam levando turistas ao local (…) talvez não tivéssemos despertado para sua restauração”.
Fizemos uma exploração do lugar e vimos que estávamos sobre as barreiras que emolduram a foz do Rio Miriri, na antiga praia do Picão, uma área extremamente estratégica para observação do mar, e para a construção de um encapelado. Foi ali erigida no século XVIII a capela de Nossa Senhora do Bonsucesso, mais precisamente no ano de 1748 por Bernardo Pereira. O templo fazia parte de um engenho de mesmo nome, construído à margem do rio Caboclo ou Bonsucesso (afluente do Miriri), distante aproximadamente 600 metros dali. Por falar em rio, o Miriri corre nas fraldas do outeiro onde está a capela, formando barra alguns metros depois, tornando o lugar um ponto de muita visitação de banhistas, ciclistas e motoqueiros radicais, sempre em busca de aventura. Agora em 2017 observei a improvisação de pequenos bares naquela ribeira com significativa movimentação de turistas.
As paredes desse singelo encapelado foram construídas com bons pedaços de pedra local rubra e arroxeada, tijolos manuais e pedra calcária. Os anos, a falta de
vontade política e senso patrimonial de parte dos visitantes tem sido nocivo às paredes centenárias deste interessante templo. Hoje se vê por todos os lugares pichações, marcas de visitantes que na tentativa de demarcar lugar, ferem e mutilam o que ainda resta do encapelado. Em 2002 foi o seu tombamento através do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, mas nada tem sido feito visando sua conservação.
Sem dúvida um belo lugar para conhecer! Belezas naturais e uma boa história pra contar de nossa colonização são os ingredientes. Mais um patrimônio histórico, natural e cultural da Paraíba.

 

Thomas Bruno Oliveira

Historiador e Jornalista – 3372-PB

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