O ABANDONO DO TURISMO

Fevereiro 9, 2017

Quando foi criado, o Ministério do Turismo foi saudado pelo trade brasileiro como a plena maturação alcançada por um dos mais importantes setores da economia no mundo inteiro, que alavancava a economia dos países onde se constituíra, concorrendo com atividades industriais e de serviços em nível de igualdade. Ou seja, alcançara a maioridade e passava a ser visto como negócio atraente, por sua baixa exigência de capital de investimento, com menor prazo de retorno, além de ser politicamente muito interessante por sua forte capacidade de geração de empregos.
Enquanto passava a fomentar, através de investimentos básicos na preparação da infraestrutura, uma atividade na qual uma massa maior de pessoas podia participar, o setor privado tinha seu campo de expansão aumentado, gerando vantagens para toda a sociedade. Todos ganhavam. Mas, a politicagem oportunista parece ter se apoderado do setor, o Ministério acabou diminuindo de tamanho – em parte pelos desvios de seus recursos por gente dessa politicagem, e a esperada explosão econômica do turismo acabou não se verificando. Ao contrário, parece minguar dia-a-dia, conforme demonstram dois fatores, como o número de turistas, especialmente os do exterior, que aumenta apenas de forma vegetativa há mais de uma década, e o envolvimento governamental decrescente, em particular o dos Estados.
A diminuição da presença pública é mais sentida em alguns Estados com maior potencial turístico ou onde ele representa forte componente em seus PIB. É o caso dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Tocantins, que extinguiram as Secretarias de Turismo, ou de centenas de municípios que também acabaram com as secretarias municipais. O Estado do Rio de Janeiro é o último caso conhecido, ao fundir a Secretaria de Turismo com outras três ou quatro pastas que nada tem em comum entre si. Premido pela crise financeira em que o Estado está mergulhado – diga-se , por culpa dos próprios governantes, um dos quais ainda na cadeia – cortou despesas sem nenhum critério aparente, jogou fora um forte instrumento para sua própria recuperação, à espera de uma solução caída do céu.
Parece que estamos ingressando em uma volta ao passado em que o turismo em vez de representar atividade econômica de forte interesse social como é reconhecido hoje, significava, sua própria enunciação, laser de ricos.

 

Hélcio Estrella

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