Ah minha Paraíba…

Janeiro 12, 2017


A Paraíba é um dos menores estados brasileiros, possui uma área de 56.439 km², no entanto, encerra em seu território pitorescas paisagens de rara beleza. De Cabedelo à Cajazeiras, do Cariri ao Curimataú, belezas naturais e patrimônios históricos se fundem em magníficos cenários.
A iniciar pela bela Ponta dos Seixas, lugar mais oriental das Américas, onde o sol nasce primeiro, (foto) a costa paraibana é magnífica e mescla grandes estruturas hoteleiras com lugares paradisíacos, praticamente inexploráveis. Temos as Praias Bela, Formosa, Jacumã, Ponta de Lucena (só para citar algumas), praias em área de reserva indígena Potiguara que são preservadíssimas, com destaque para as praias na Aldeia Forte, Galego, Barra de Camaratuba e Barra do Mamanguape, inclusive há – no litoral sul – a Praia de Tambaba, ponto para onde aflui milhares de turistas adeptos do naturismo (fotos). Ainda em nosso litoral, cidades históricas possuem igrejas e prédios que remontam nosso passado colonial, a começar por nossa Capital. (fotos)
Partindo para o interior, a Paraíba fica ainda mais bonita. Seguindo o caminho dos rios, chegamos através do Rio Paraíba às cidades de Cruz do Espírito Santo, em Pilar conhecemos o nascedouro e a paisagem que influenciou o renomado escritor José Lins do Rêgo (foto) em suas majestosas obras. Passamos por Barra de Santana – onde o declamado Bodocongó encontra as águas do Paraíba – e chegamos à Boqueirão, a cidade das águas, ali pode-se deliciar os melhores peixes e banhar-se no manancial que abastece Campina Grande e todo o compartimento da Borborema. Passamos pela histórica cidade de Cabaceiras, chegando ao Lajedo de Pai Mateus, caminhando por trilhas e conhecendo um rico patrimônio ecológico, histórico e arqueológico. Embrenhando-se pelo cariri, podemos conhecer Serra Branca, Sumé, Prata, Monteiro, bucólicas e hospitaleiras cidades onde se pode observar o tempo passar à sombra das árvores, proseando com cantadores, poetas repentistas e violeiros seresteiros, não esquecendo de tomar um bom refresco no mercado público, onde é servido tudo de mais gostoso.
O Brejo paraibano, no topo do Planalto da Borborema, esbanja tradição através dos sabores, do clima frio de altitude e dos engenhos, que encantam a todos que ali visitam. Guarabira, Areia e Bananeiras são as maiores cidades, imersas em um ar colonial, onde frutifica uma cultura ímpar em terras paraibanas. Ali há o Circuito do Frio, um estruturado e envolvente roteiro turístico e sentimental que abarca lugares históricos, engenhos de cachaça e rapadura, hotéis fazenda com uma gastronomia peculiar.
No Agreste, a enigmática Pedra do Ingá é um testemunho rupestre dos ancestrais, um dos sítios arqueológicos mais conhecidos do Mundo que, com suas indecifráveis inscrições, desafia a curiosidade de pesquisadores e turistas, foi assim com Zé Ramalho “nas trilhas de Sumé”. De forma geral, a Paraíba é repleta de testemunhos pretéritos, prova inconteste que nossas serras e montanhas foram ocupadas por milênios.
Do Cariri, tem que se conhecer o queijo de Boa Vista e São João do Cariri, o feijão verde com galinha de capoeira em São José dos Cordeiros, Taperoá e Barra de São Miguel, a Serra da Engabelada em Caraúbas, a Área de Preservação Ambiental das Onças em São João do Tigre, a nascente do Rio Paraíba na Serra do Jabitacá, em Monteiro, as delícias de Bode (assado ou guisado) em Gurjão, Parari, e todo o Cariri, nesta “civilização do Couro” como já afirmou Capistrano de Abreu.
Subimos a Serra do Teixeira e chegamos ao céu… no ponto culminante do Estado, tudo está aos nossos pés. Passamos pela Pedra do Tendó e descemos a planície sertaneja até chegar a Patos, a morada do sol. Cidade quente, aconchegante e aprazível. Em São Mamede, temos a Serra do Picotes, réplica em miniatura do Pão de Açúcar carioca, esculpido majestosamente pela natureza.
Chegando ao sertão, vamos pelo vale do Piancó, descendo até chegar em Princesa Isabel, cidade que já foi República independente, se emancipando da Paraíba nos princípios da Revolução de 1930, na chamada Revolta de Princesa. Voltando sertões a dentro, chegamos ao Vale dos Dinossauros, na cidade sorriso (Sousa). Ali, centenas de pegadas ornam o Vale do Rio do Peixe onde dinos de várias espécies deixaram seus “rastros”.
De monumentos religiosos, temos a Cruz da Menina (Patos e Amparo), o memorial Frei Damião (em Guarabira), a Pedra da Santa (em Araruna), a Pedra de Santo Antônio (em Fagundes), a estátua do Cristo Rei em Itaporanga, São Sebastião de Lagoa de Roça e Teixeira, como também centenas de cruzeiros encimando grandes rochas e algumas serras, demonstrando a devoção e religiosidade do povo paraibano, cada um deles atraindo peregrinos de várias regiões e outros estados.
Por falar em devoção, não há período de maior fervor religioso e festivo que o São João. Em todo o interior do Estado há cerimônias religiosas, novenas em favor de São João e os inúmeros “Joões”, pessoas nascidas no dia 24 de junho e batizadas com o nome do Santo recebem em suas casas (na zona rural) as novenas ao Santo. Os santos Antônio, José e Pedro também são muito comemorados, época junina é o período da colheita e onde há colheita, há festa! Neste quesito, todas as cidades promovem festas no período, desde as mais tradicionais, às mais modernas. O grande destaque, é o Maior São João do Mundo, realizado em Campina Grande. Festa com 31 dias de duração, sediado no gigantesco Parque do Povo que em suas noites mais calorosas, abarca mais de 100 mil forrozeiros.
Pois bem, a Paraíba possui inúmeras belezas naturais e históricas, é um estado rico em tradição e cultura. Conhecer seus segredos, desvendar seus mistérios, são os desafios propostos aos turistas. O poeta e forrozeiro Tom Oliveira afirmou: “Lugar tão lindo assim pra mim é jóia rara (…) porque eu sou muito feliz, sou Paraibano!” Venha conhecer a Paraíba!

 

Thomas Bruno Oliveira

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