MEMÓRIA DA AVIAÇÃO COMERCIAL PODE ESTAR EM BOLSOS DE MALANDROS

setembro 6, 2016

Museu de Aviação do Campo dos Afonsos

O Brasil, por tradição, não costuma guardar com muito cuidado a memória de sua história. E no campo de aviação, onde se destaca, inserido entre os principais mercados do mundo, isso não é diferente. Desde os tempos em que inventores como Santos Dumont ou Sensaud de Lavaud projetaram nosso país além fronteiras, conquistamos e mantemos permanentes destaques na aviação, incluídas a aviação geral, a aviação executiva, e aviação comercial e a indústria aeronáutica, onde a Embraer desponta como o terceiro maior fabricantes de jatos para a aviação comercial.
Quinto mercado de aviação doméstica no ranking mundial, fez-se muitos esforços no sentido de preservar a memória deste setor, especialmente criando museus que retratassem os esforços. O Museu de Aviação do Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro, parece ser o único e raro exemplar do trabalho de se guardar essa memória. Mantido pelo Comando da Força Aérea Brasileira, ele é dos poucos, ao lado do Museu da Embraer, mantido pela APVAER-Associação dos Pilotos e Veteranos da EMBRAER, a resistirem bravamente à onda que vem destruindo os registros da história da aviação brasileira. Outros museus criados com essa finalidade desapareceram, como o Museu de Aviação de Bebedouro, interior de São Paulo, o Museu da Fundação Santos Dumont, de São Paulo, que funcionou no Parque do Ibirapuera e depois teve seu acervo histórico largado em um galpão na cidade de Cotia, na grande São Paulo, o Museu da VARIG, em Porto Alegre, que sumiu do mapa após a grande empresa gaúcha fechar e passar seu acervo à GOL, e, finalmente, o Museu da TAM, oficialmente Museu Asas de Um Sonho, magnifica obra cultural criada pelos Comandantes Amaro, Rolim e seu irmão João, na cidade de São Carlos, que fechou suas portas no inicio deste ano, por tornar-se desinteressante para a nova dona da TAM, a empresa aérea chilena LAN.
O grande e valioso acervo não apenas cultural mas também econômico dos museus de aviação fechados parecem ter desaparecido em passes de mágica. Ao que se sabe, seus acervos desapareceram misteriosamente, sem que ninguém saiba onde se encontram aviões de milhões de dólares. como o Jahú, um dos primeiros aparelho a fazer a travessia do Atlântico Sul, o Beech 17, de valor inestimável que foi por muitos anos a jóia da coroa do Parque do Ibirapuera, e tantos outros, alguns vendidos com a justificativa de essas vendas foram usadas para pagar dívidas dos museus que os abrigava. No caso do Museu da TAM, o problema tem uma dimensão bem maior, já que seu acervo está entre os mais valorizados no mundo dos museus de aviação, com aviões de centenas de milhares de dólares, muitos oriundos do patrimônio da União. Apenas dois, para citar alguns exemplos : qual o valor do Constelation , do Jahu, do Spitifire , do P-47 ou do Mirage III ( os dois últimos, cedidos pela FAB ao o Museu de São Carlos) exemplares raros no mundo atual ? O patrimônio do Museu da TAM, se vendido, poderá ajudar empresas aéreas a amenizarem seus problemas de caixa. Será vendido ?
Creio que o Ministério Público Federal poderia imiscuir-se na questão, já que algumas peças desses museus vieram do patrimônio da União, por terem feito parte de frotas de órgãos públicos, entre eles a FAB, tendo sido doados, após baixa na serviço ativo, para ajudarem a preservar a memória da aviação brasileira, ou mesmo construídos com recursos públicos ou de isenção fiscal. O que tem havido por traz do fechamento de museus de aviação ?

 

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