Uma passagem pelos Cariris Velhos

julho 8, 2016

tomas-1l Thomas Bruno Oliveira e Eraldo Maciel*

Cariris Velhos da Paraíba, terra cheia de história, permeada por mistérios de populações que habitaram a inóspita caatinga em séculos anteriores a chegada dos europeus. Região fortemente marcada pela religiosidade e por incontestes traços indígenas que vão desde a pele trigueira à arte do fazer… costumes e cultura peculiar destes rincões no interior do Nordeste.
O Cariri é uma faixa de aproximadamente 100km que nasce no coração da Paraíba indo até os limites com o Pajeú e Agreste pernambucano, abarcando oficialmente 28 municípios mas que na prática reúne quase 40. Sua população é de aproximadamente 160 mil pessoas e seu clima é tipicamente semi-árido, com a marcante característica do diminuto índice pluviométrico; aspectos que marcaram sensivelmente a arte do fazer e viver do povo, que desenvolveu uma forma peculiar de lidar com os fatores climáticos e com a sua vegetação graciosamente original, pois até a caatinga ali é diferente da de tomas-2outras regiões.
As terras caririzeiras ocultam registros de um longínquo passado, são ‘letreiros’ ou ‘letras de índios’ que figuram em rochedos e serras de norte a sul da região. São registros incontestes da remota presença humana por estes rincões.
Por incontáveis vezes, tivemos a oportunidade de se embrenhar na caatinga atrás desses registros rupestres, em uma dada oportunidade, n’um outono chuvoso, fomos conhecer dois sítios arqueológicos de inscrições rupestres no município paraibano de Amparo, localizado no extremo oeste do Cariri, divisa com o Pajeú(PE). A investida foi um pouco dificultada pelas torrenciais chuvas que vem banhando a região desde o carnaval, que além de fazer ressurgir as folhagens da vegetação que em outrora estava ressequida e rala, complicara a nossa passagem pelas principais vias de acesso, sendo necessário atravessar cuidadosamente riachos caudalosos.
Com a caatinga densa, quase impenetrável, iniciamos a jornada e fomos para a tomas-4localidade do Amaro, à leste da zona urbana. Lá encontramos uma placa granítica inclinada com aproximadamente seis metros de altura contendo um painel de pinturas vermelhas em dois tons. São desenhos complexos e ambíguos. Não encontramos nenhum grafismo reconhecível, caracterizando as inscrições como fortemente simbólicas. Dali fomos para a localidade do Cunha, que ocultava em sua mata um enorme bloco rochoso repleto de grafismos rupestres. O painel de letreiros do Cunha se dividiam em grupos de pequenas linhas paralelas (em conjuntos de dois e três) e em um grupo de símbolos circulares realizados de forma meticulosamente semelhante. Nesta porção do painel encontramos a formação de uma camada esbranquiçada composta por sais oriundos da água que banha o alto do monumento. Infelizmente os desenhos eram bem mais vívidos, testemunha uma moradora local. tomas-3
De forma geral, os Cariris Velhos possuem uma riqueza imensa no tocante a sítios arqueológicos pré-históricos. Em estudos de membros da Sociedade Paraibana de Arqueologia constata-se a existência de pelo menos um sítio nos domínios de 27 dos 28 municípios integrantes da microrregião do cariri, o Prof. Vanderley de Brito afirma que esta região do Planalto foi intensamente povoada por populações indígenas e recentemente o Prof. Juvandi de Souza Santos se dedicou a importantes escavações arqueológicas nesta região.
A riqueza pré-histórica dos Cariris Velhos está sendo descortinada. Num futuro próximo os mistérios darão espaço às certezas e nosso passado indígena será cada vez mais elucidado. tomas-6 tomas-5

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