Rolamento de matacões

abril 6, 2016

Matacões no alto da Serra de Bodopitá (Centro da imagem a Pedra do Zé Velho) – Queimadas-PB

Matacão na encosta da Serra do Algodão

Às cinco da manhã do dia 14 de maio de 2005, o Sr. Zuza Guedes, morador do sítio Rússia, no município paraibano de Algodão de Jandaíra, acordou assustado com um estrondoso barulho vindo da Serra do Algodão, há aproximadamente 1 km de sua residência: “A zoada mais parecia de um imenso trovão”.
Espantado, o agricultor foi verificar o que tinha ocorrido e deparou-se com seu filho que vinha do roçado correndo em sua direção anunciando (aos gritos!) que uma grande pedra tinha rolado do alto da Serra.
O deslizamento da rocha, que ornava o cume da Serra do Algodão, causou uma imensa clareira na mata. O bloco rochoso de aproximadamente 6m de altura por 5m de largura desceu serra abaixo levando tudo que estava em seu caminho. Pedras como esta são denominadas pela geologia de matacão e tratam-se de formações rochosas (neste caso específico em granito) que se encontram sobreposta a um lajedo ou a outro bloco rochoso. Devido a ação erosiva, a base destes matacões são desgastadas pelos milênios até não mais apresentarem pontos de ostentação e finalmente rolarem. Este fato é bastante comum e é provavelmente o destino da maioria dos matacões posicionados nas encostas e cumes das serras, tanto na zona rural como no perímetro urbano.

Alto da Serra do Algodão – Algodão de Jandaíra-PB

Alto da Serra do Algodão – Algodão de Jandaíra-PB

O fato é preocupante, pois muitos municípios cujas sedes encontram-se próximo às serras possuem matacões com real perigo de deslizarem e causar desastres sem precedentes, destruindo casas e possivelmente vitimando habitantes.
Medidas preventivas podem ser tomadas para evitar catástrofes desta natureza, uma delas é a preservação das matas que revestem as serras; as raízes dos vegetais fixam a terra e absorvem a água evitando que as enxurradas lavem o sedimento e desnudem a base destas rochas. No Rio de Janeiro, onde as serras são inúmeras no contexto urbano, há intervenções civis feitas no intuito de ostentar monumentos rochosos através de pilares de concreto, além da preservação das florestas.
Alguns municípios paraibanos como; Sumé, Serra Branca, Fagundes, Teixeira e Catingueira, dentre muitos outros, possuem matacões urbanos. Entretanto, o município de

Queimadas é o que mais preocupa devido ao acentuado desmatamento e a ação da mineradora Pedraq ao longo da porção oeste da Serra de Bodopitá. Mesmo estando desativada atualmente, por anos a Pedraq destruiu uma significativa parte da Serra utilizando-se de explosivos, podendo ter abalado inúmeros dos matacões adjacentes. Dentre os quais figuram diversos sítios arqueológicos de pintura rupestre de inestimável valor como a Pedra do Touro e a Pedra do Zé Velho.
É importante que a sociedade e, principalmente, as autoridades fiquem em alerta para o perigo de rolamento destes matacões, para que não venha a acontecer o mesmo incidente ocorrido em 2005 na Serra do Algodão onde, felizmente, tratava-se de um perímetro rural distante de habitações.

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