NA CRISE, AÉREAS PARECEM AGIR COMO O AVESTRUZ

fevereiro 2, 2016

 Diante da crise da aviação comercial brasileira, suas transportadoras aéreas parecem ter adotado o principio do avestruz, que à um sinal de perigo prefere enfiar a cabeça no chão como forma de evita-lo. É o que se pode deduzir do plano que estão anunciando, de redução de oferta de assentos como forma de livra-las dos continuados prejuízos que registram nos últimos dois anos.

As empresas TAM, Gol, Azul e AVIANCA anunciaram um plano de emergência para fugir dos prejuízos que registram em 2015 ( os balanços devem ser anunciados a partir de fevereiro ), que somam, juntos, mais de U$ 1 bilhão( acima de R$ 4 bilhões), um recorde dos últimos 10 anos. Ele prevê um forte controle de custos, tendo como itens principais uma diminuição de 7% na oferta de assentos e uma diminuição de quadros, o que significa dizer demissões de empregados em alguma escala. Em 2015, essas aéreas já haviam reduzido em 3% em média a oferta de assentos em seus voo e um aumento médio de 20% nas suas tarifas. Essas tarifas acabaram reduzidas na segunda quinzena de dezembro último, como forma de atrair os passageiros.
A razão principal da falta de passageiros tem sido a diminuição do fluxo de viagens corporativas, pagas pelas empresas dos executivos e que permitem a prática de tarifas mais lucrativas. Essas viagens diminuíram de ritmo a partir do segundo semestre de 2015 e não deram sinal de recuperação até agora. A solução encontrada, tarifas menores para atrair o passageiro que paga a viagem de seu próprio bolso, também não deu a resposta esperada e as aéreas estão meio que perdidas, com uma venda nos olhos no meio de um tiroteio.
A Azul teve as menores percas, fato atribuído pelos especialistas às características de sua frota, composta por aviões menores, mais modernos e com menores gastos de combustíveis e de manutenção. Desde o inicio de suas operações, a empresa usa os aviões fabricados em São José dos Campos pela Embraer, os EMB-190 e 195, além de uma linha de ATR franceses e dos EMB-175, com capacidade média os primeiros de 100 passageiros, de 60 passageiros os segundos e de 75 os últimos, estes também produzidos pela Embraer. Usa os voos chamados de ponto-a-ponto, considerados mais econômicos. Voa mais de forma mais econômica. E sua condição de sócia da récem privatizada TAP portuguesa, parece ter-lhe criado uma situação mais favorável em programa de contenção de custos. Ela pode agora transferir à TAP seus aviões maiores, os Airbus a-330, adquiridos recentemente para linhas internacionais. Ali eles poderão ser usados em linhas transatlânticas.
Já a TAM e a Gol preferem aviões de maior capacidade, média acima de 150 lugares, o que nem sempre permite operações menos custosas. A AVIANCA também opera mais recentemente esses tipos de aviões, geralmente das linhas Airbus e Boeing, após ter abandonado aviões menores que operou no passado, os Fokker-100. Assim, em 2016 a frota a aviação comercial brasileira deverá ser reduzida em 10%. Criou-se uma aparentemente falsa conclusão, no final da década de 90, de que apenas as empresas aéreas comerciais com frota de aviões com um mínimo de 150 lugares teria viabilidade econômica. Na prática não é isso o que verifica. E a Azul está ai para mostrar.

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